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Evento vai reunir work shop Cães Educados Donos Felizes, show de Agility, sorteio de brindes e brincadeiras

Você já tem onde levar o seu pet para passear no próximo dia 6 de agosto. A partir das 7 horas acontece, no Pet Park Osasco, a 7ª Cãominhada em Osasco.
 
Com opções de lazer para os cães e seus tutores, o evento vai reunir work shop Cães Educados Donos Felizes, show de Agility, sorteio de brindes e brincadeiras além da escolha do maior e do menor cão, e também do cão mais parecido com seu dono.
 
A entrada é gratuita, mas você pode ajudar um animal de rua doando 1 quilo de alimento para cães ou gatos. A doação pode ser entregue no portão principal do evento.
 
Realizada pela Osasco Rádio Web, a 7ª Cãominhada tem apoio da Prefeitura de Osasco, do Hospital Veterinário Cães e Gatos 24 horas e Frequencia Móvel.
 

7ª Cãominhada em Osasco
Domingo, 6 de agosto, às 7:00 - 17:00
Pet Park Osasco - Av. Franz Voegeli, 930, Osasco
Informações: (11) 95362-4739 

Evento vai reunir work shop Cães Educados Donos Felizes, show de Agility, sorteio de brindes e brincadeiras

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Com opções de lazer para os cães e seus tutores, o evento vai reunir work shop Cães Educados Donos Felizes, show de Agility, sorteio de brindes e brincadeiras além da escolha do maior e do menor cão, e também do cão mais parecido com seu dono.
 
A entrada é gratuita, mas você pode ajudar um animal de rua doando 1 quilo de alimento para cães ou gatos. A doação pode ser entregue no portão principal do evento.
 
Realizada pela Osasco Rádio Web, a 7ª Cãominhada tem apoio da Prefeitura de Osasco, do Hospital Veterinário Cães e Gatos 24 horas e Frequencia Móvel.
 

7ª Cãominhada em Osasco
Domingo, 6 de agosto, às 7:00 - 17:00
Pet Park Osasco - Av. Franz Voegeli, 930, Osasco
Informações: (11) 95362-4739 

A imprensa muda, as tecnologias avançam, mas se tem uma característica que não desaparece da prática do jornalismo cultural é o hábito de escrever textos indecifráveis sobre o que alguns chamam de produtos e pessoas do universo da cultura erudita. Mas antes de falar deste tema, é preciso deixar claro que se trata de uma grande bobagem esta separação – muito em voga no passado – entre cultura popular, cultura erudita e cultura de massa. Estas fronteiras não existem.

Tome, por exemplo, um filme como Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha. O diretor utiliza de trilha musical de Heitor Villa Lobos, seus conceitos de direção de fotografia e roteiro exigem um conhecimento estético sobre cinema. Portanto, filme erudito. Mas Glauber fala das mazelas do povo brasileiro e quis fazer um filme do povo para o povo. Portanto, filme popular. E, no entanto, trata-se de um longa exibido em vários cinemas, TVs e distribuído em DVDs. Cultura de massa. Tudo num só produto cultural.

Mas porque é preciso ler sobre filmes como esses, de filósofos, obras literárias, efemérides, discos, peças teatrais ou exposições como se estivéssemos lendo sânscrito? Porque propostas culturais mais sofisticadas precisam ser transpostas, nas páginas e blogs jornalísticos, sem clareza, coesão e coerência, mandamentos máximos do jornalismo como um todo?

Não se está dizendo, aqui, que é preciso escrever de forma rasa e simplória. Textos acessíveis não são sinônimos de superficialidade. O maior mal que um texto indecifrável causa é distanciar pessoas com pensamentos fabulosos e seus produtos do grande público. É colocar a tal “cultura erudita” num pedestal patético, pretensamente atingível por poucos, os decifradores de textos rebuscados. Não há maior desserviço do que isso, especialmente quando vem do jornalismo cultural, cuja missão, sempre, é fazer ponte entre a produção de arte e entretenimento e o público.

Isso não quer dizer que os textos do jornalismo cultural devam ser professorais. Longe disso, ainda que sem preconceito algum. Mas a máxima jornalística – “clareza, coesão e coerência” – deve ser sempre respeitada. Estilo jornalístico não pode ser confundido com rebuscamento intelectualóide. Um dos maiores prazeres que um leitor de jornalismo cultural tem é adquirir conhecimento sobre algo novo. É entender as ideias e intenções de um artista para, antes ou depois, visitar sua exposição. É compreender porque tal diretor possui aquele estilo de filmagem. Ou entender quais foram as grandes contribuições de ideias de alguns filósofos, sociólogos e escritores.

Cult_208 hannah divulgacaoCadernos e revistas culturais já possuem um número reduzido de leitores, pela sua natureza de falar de segmentos específicos da produção cultural. Mas escrever de forma chata, complexa, é trabalhar contra o próprio propósito – financeiro e cultural – que estas publicações possuem de atingir um público cada vez maior.

Isso remete ao velho embate entre jornalistas e especialistas de outras áreas, uma discussão tão antiga quanto a prática do jornalismo no mundo. A quem deve ser a missão de fazer jornalismo: do jornalista ou daquele que entende melhor do assunto em questão? Quem deve escrever um texto sobre um filósofo: um jornalista ou um filósofo especialista no mesmo?

A resposta é: tanto faz. Desde que tal filósofo, sociólogo, advogado ou poeta consiga construir, em seu texto, uma ponte entre a obra e seu leitor. Mas é para isso que, em tese, os jornalistas passam quatro anos no bacharelado e por isso tendo a defender a profissão. Não como uma ingênua proteção de mercado, mas como uma profissão que domina instrumentos para decifrar o mundo para seus leitores.

E isso não vale apenas para o jornalismo cultural. Como não especialista de outras áreas, valorizo jornalistas econômicos que me façam entender porque o novo pacote do governo é ruim, jornalistas políticos que decifram o emaranhado de decisões e reviravoltas de prisões e delações premiadas que dominam nosso cotidiano há anos. Jornalistas de saúde e ciência que saibam usar os argumentos e palavras certas para nos aproximar dos avanços científicos e da escuridão do universo ao redor.

Textos culturais não precisam ser longos e cheios de regras como uma tese de doutorado. Tampouco precisam recorrer a piadas e adjetivações fáceis para atrair muitos leitores. Nunca me esqueço de um texto do amigo jornalista Luiz Zanin Oricchio sobre um documentário sobre Rita Cadillac, personagem notoriamente popular. O texto era claro e coerente e ergueu muitas pontes sobre estilos documentais, a importância do arco do personagem etc. Sem precisar recorrer a um rebuscamento que protegesse o crítico de um produto pretensamente popularesco.

Há felizes exceções entre cadernos e revistas culturais. Destaque para um belíssimo ensaio que Claudia Perrone Moises escreveu para a Revista Cult, tempos atrás, sobre a importância do pensamento de Hanna Arendt na contemporaneidade. O ser humano é um bicho movido a curiosidade e conhecimento. Acessar a contribuição desta filósofa alemã num texto rico em conteúdo, mas acessível na forma, é um prazer que não se perde nunca. Mas, infelizmente, pontes jornalísticas bem construídas como essas ainda são exceções.

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Franthiesco Ballerini é jornalista, autor do livro ‘Jornalismo Cultural no Século 21’ – www.franthiescoballerini.net

Berlinale 2

Após alguns meses de reflexão, continuamos revisitando ou “degustando” o melhor do 67º Festival Internacional de Cinema de Berlim, conhecido como Berlinale que aconteceu de 9 a 19 de fevereiro de 2017. Como destacamos anteriormente, a produção francesa Django, dirigida por Etienne Comar, abriu o festival e o prêmio máximo, o Urso de Ouro, foi entregue ao filme húngaro On Body and Soul, dirigido por Ildikó Enyedi e que, além disso, encerrou o festival. Muitos filmes extraordinários foram exibidos para um público exigente e sempre ávido por novidades cinematográficas, polêmicas políticas e produções exóticas de países distantes.

Na edição passada, a Berlinale reafirmou sua aproximação com o Brasil, somando 12 produções nacionais em quatro diferentes mostras, número recorde para o cinema do nosso país. O longa Joaquim, do cineasta Marcelo Gomes, disputou o Urso de Ouro na categoria principal.

O diretor artístico do evento, Dieter Kosslick, deu algumas pistas do que o público deveria esperar da 67ª celebração do festival. “Neste ano, a Berlinale representa o tempo de reflexão”, resume, e, inclusive, “parece que muitos diretores se anteciparam às incertezas e aos recentes desdobramentos políticos que aconteceram nos últimos anos”. Joaquim, uma coprodução brasileira com Portugal e Espanha, é um bom exemplo dessa busca dos cineastas por entender o conturbado período que atravessa não apenas o Brasil mas o mundo a partir da análise e da crítica de fragmentos do passado. O longa  se centra na figura de Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), o soldado do Império que viria a liderar a Inconfidência Mineira.

Em sua última produção, Gomes retorna aos tempos do Brasil Colonial para investigar as circunstâncias que alimentaram a construção da consciência política do jovem alferes antes de se tornar o mito Tiradentes. Protagonizado por Julio Machado, o novo filme do diretor de Cinema, aspirinas e urubus (2005) tenta repetir o feito de Central do Brasil, de Walter Salles, e Tropa de elite, de José Padilha, vencedores do Urso de Ouro da Berlinale em 1998 e 2008, respectivamente.

Nas palavras de Kosslick, “o filme de Marcelo explora o passado [brasileiro] para explicar o presente e, assim, tentar entender as complicações da nossa realidade atual. O colonialismo – e suas consequências – é algo que nunca foi totalmente superado’”, afirma. O idealizador ainda cita outros exemplos de revisão histórica na extensa programação do festival, como The young Karl Marx, de Raoul Peck e Viceroy’s house, de Gurinder Chadha, que trata da devolução da Índia ao governo local depois de mais de três séculos de colonização, além dos brasileiros Vazante, de Daniela Thomas, e o documentário No Intenso agora, de João Moreira Salles e que analisa os movimentos de Maio de 1968.

Berlinale reporter DWDepois de três anos consecutivos cobrindo a Berlinale  e com a experiência da jornalista cultural Nayara Batschke na Espanha, algumas reflexões que vão mais além da simples cobertura cinematográfica do festival começam a surgir. Como, por exemplo, a dificuldade em se fazer cinema no Brasil. E não se trata somente dos obstáculos como custos de produção e oportunidades de financiamento, mas também daqueles referentes ao reconhecimento das produções nacionais por parte da indústria e do público. Afinal, não podemos esquecer que cinema, muito mais do que apenas uma atividade de ócio, é, antes de tudo, cultura. E não é exagero afirmar que a telona talvez seja o melhor espelho dos níveis sociais e culturais de uma civilização.

A arte cinematográfica se converteu em um dos principais barômetros da vida contemporânea. No entanto, engana-se quem pensa que os medidores sociais se configuram apenas através do que se produz. Muito além, o que se consome também tem relação direta com a construção da cultura e com sua visibilidade e inserção internacional. É um fato que as recorrentes crises políticas e econômicas que assolam o Brasil, e em consequências os frequentes cortes nas verbas destinadas à cultura, inviabilizam o sonho de cinéfilos e jornalistas de um grande festival de cinema brasileiro, no estilo da Berlinale, Cannes ou o Festival de San Sebastián.

É verdade que temos vários pequenos festivais, como o de Gramado ou o Festival do Rio de Janeiro, mas são eventos pontuais que lutam de forma heroica, ano após ano, para sobreviver sem os grandes patrocínios e incentivos públicos. Por outro lado, a programação em cartaz da maioria dos cinemas brasileiros se limita ao mainstream hollywoodiano, deixando pouco ou nada de espaço às produções nacionais ou de outros países fora do eixo anglo-estadunidense. Quantas vezes escutamos que tudo aquilo que foge da narrativa de tiros, perseguições e carros rodando em alta velocidade é classificado como “filmes alternativos” e, assim, costumam ser exibidos em espaços considerados também alternativos? Quantos filmes dos nossos vizinhos latino-americanos vêm às nossas cabeças? Além de Pedro Almodóvar e Guillermo del Toro, que outros diretores distantes do circuito de Los Angeles soam conhecidos? E, o mais importante, quantas produções francesas, alemãs, italianas, mexicanas, argentinas, paraguaias, espanholas (para não dizer brasileiras) estão em exibição em nossas salas de cinema neste exato momento?

Se somarmos o enxuto orçamento dedicado às realizações cinematográficas no país com a falta de interesse do público em geral, temos como resultado a dolorosa constatação de que há muito trabalho pela frente se queremos, algum dia, ter a oportunidade de contar com um grande festival de cinema brasileiro ou, pelo menos, uma considerável inserção no mundo da Sétima Arte. Parece um sonho muito distante, talvez impossível para o público, cinéfilos e jornalistas brasileiros, mas que ainda está em tempo de ser revertido. Afinal, se o Brasil já é presença confirmada em festivais mundo afora, como a Berlinale, imagina como seria com uma política de investimento – e uma sociedade em geral – que apoia, acompanha e reconhece o trabalho de suas obras nacionais.

A cineasta brasileira Daniela Thomas, por exemplo, retornou a Berlim após 11 anos, dessa vez, com seu primeiro filme solo. Para ela, “a Berlinale é um festival muito bacana, engajado, vibrante. E sua relação com o cinema brasileiro, especialmente dos anos 1990 pra cá, tem sido muito impactante para a nossa própria percepção da qualidade dos filmes de autor do Brasil”.

Seu longa Vazante, drama histórico ambientado na sociedade escravocrata brasileira do início do século XIX, abriu a mostra Panorama como integrante de um pacote temático de produções sobre a história dos negros nas Américas e na África. Daniela atesta sua felicidade múltipla: com a seleção do filme para o festival, de estar vivendo esse momento tão incrível do cinema brasileiro em Berlim, por estar numa seção especial dedicada à história da diáspora negra e, finalmente, por abrir a Panorama deste ano. Além da temática da escravidão, o longa também traz a reflexão sobre os casamentos forçados, que, nas palavras da diretora, “destroçaram por séculos a felicidade de jovens garotas”.

Na ocasião do lançamento de Vazante, Daniela e outros diretores da delegação de cineastas brasileiros presentes no Festival de Berlim leram um manifesto com críticas ao governo Temer e reivindicações para que permaneçam as políticas públicas em defesa da produção nacional. Participaram do manifesto os diretores Laís Bodanzky, Cristiane Oliveira, Felipe Bragança e Julia Murat, todos com lugar garantido no extenso programa da 67ª Berlinale.

Por certo, Pendular, de Julia Morat, foi contemplado com o Prêmio da Crítica na mostra Panorama. O sensível e maestro retrato de uma relação entre uma dançarina e um escultor que, pouco a pouco, entra em colapso sob a narrativa poética única e singular de Morat lhe rendeu o reconhecimento da crítica em Berlim. A reflexão sobre amor e “desamor”, assim como a busca incessante de identidade, paixão e felicidade moldam os tons peculiares e líricos da narrativa.

Além de Vazante, outras produções nacionais que focam na questão de gênero são As duas Irenes e Não devore meu coração!, curiosamente dirigidas por dois homens, Fabio Meira e Felipe Bragança, respectivamente.  A primeira se centra na história de uma adolescente de 13 anos que descobre que seu pai tem uma família paralela e, inclusive, outra filha com seu mesmo nome. Já o longa de Bragança pincela temas delicados, como a impiedosa Guerra do Paraguai e a ação de quadrilhas na fronteira Brasil-Paraguai, através de uma complicada relação entre dois jovens que vivem nos limites dos dois países.

O Brasil na Berlinale 2017 também foi representado pelo curta Em busca da terra sem males, de Anna Azevedo, Mulher do pai, de Cristiane Oliveira, além de As duas Irenes e Não devore meu coração, na mostra Generation, dedicada a títulos infantojuvenis. Já o curta Estás vendo coisas, de Barbara Wagner e Benjamin de Burca, concorreu ao Urso de Ouro da categoria. E o longa Rifle, de Davi Pretto, foi selecionado para a mostra Fórum.

Na sessão Panorama, vertical paralela mais importante e aclamada depois da competição principal, foram exibidos o curta de animação Vênus — Filó, fadinha lésbica, de Sávio Leite, e os longas Como nossos pais, de Laís Bodanzky, além dos já mencionados Vazante, de Daniela Thomas, Pendular, de Julia Murat, e o documentário No intenso agora, de João Moreira Salles.

Enquanto isso, aqui no Brasil, o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro anunciou na última quinta-feira, 13 de julho, a lista de filmes indicados para a edição de 2017. A cerimônia será celebrada em setembro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O favorito é Elis, de Hugo Prata, com 12 indicações. O aclamado Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, levou 11 indicações.

Aliás, Aquarius, apesar de atingir um razoável nível de prestígio nacional, voou, de verdade, em solos internacionais. Foi indicado à Palma de Ouro do Festival de Cannes em 2016 e ganhou, até o momento, 25 prêmios de festivais estrangeiros, além de obter outras 18 indicações em eventos internacionais. Ainda estão pendentes as premiações do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e dos Prêmios Platino, expressivo evento voltado para o Cinema Iberoamericano e que celebrará sua quarta edição em Madrid no próximo dia 22 de julho.

Para encerrar, gostaria de aproveitar os Prêmios Platino para ampliar a reflexão sobre o futuro do cinema brasileiro. Aquarius estará concorrendo como Melhor Filme com Julieta, El ciudadano ilustre, El hombre de las mil caras e Neruda. Na categoria de melhor diretor, Mendonça Filho se enfrenta a nomes como os de Pedro Almodóvar e Juan Antonio Bayona. Na categoria de Melhor Documentário, figura Cinema Novo, de Eryk Rocha e ganhador do Olho de Ouro em Cannes 2016. Ou seja, ainda que de maneira modesta, o Brasil sigue conquistando espaço nos principais eventos cinematográficos. Imaginem como seria se houvesse uma política de investimento firme na produção nacional.

Na Espanha, por exemplo, os Prêmios Platino estão em sua quarta edição e destaca as melhores produções de Portugal e América Latina, além, é claro, das hispânicas. Antes dele, se celebram os Prêmios Feroz, em janeiro, que servem como uma espécie de “termômetro” para os Goya, a versão espanhola do Oscar. Após a gala Platina, se abre a temporada de festivais de onde sairão os nominados que serão coroados nas próximas premiações. Entre eles se destacam os Festivais de San Sebastián, de Valladolid e de Málaga.

Na Alemanha, ao mesmo tempo da Berlinale se celebra o Festival de Filmes Independentes de Berlim, além dos festivais de Munique e Hamburgo durante o ano. A Academia alemã concede anualmente o Prêmio Lola, máximo reconhecimento do cinema alemão e que soma mais de três milhões de euros em bonificações. Ou seja, ambos os países tem, na cultura, um centro de investimentos, ademais de fornecerem à população um riquíssimo calendário cultural que oferece uma intensa programação o ano inteiro.

O que as experiências alemã e espanhola nos ensinam? Que cinema, acima de tudo é cultura. E, como qualquer outra esfera da vida, a cultura é ensinada, absorvida e transmitida entre gerações. Infelizmente, há tempos o Brasil está não apenas estancado, mas retrocedendo no incentivo às produções culturais. A falta de fomento – seja de ordem financeira ou social – às obras audiovisuais nacionais resulta em um enorme desperdício do grande potencial que o cinema brasileiro poderia estar aproveitando, desenvolvendo, consolidando. Sem uma estrutura política sólida e estável, sem promoções sociais que facilitem o acesso de todas as camadas da população à cultura, sem o incitamento para que as pessoas busquem interagir com a cultura e, principalmente, sem uma diversificada e ampla oferta de produtos culturais que estejam em foco ao longo do ano, jornalistas, cineastas e amantes do cinema poderão continuar apenas sonhando com a criação de um cenário cultural brasileiro mais positivo ou com um grande festival de cinema, uma Brasinale 2018.

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Antonio Brasil é jornalista, com colaboração de Nayara Batschke.

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