Redação

Redação

Página 7 de 16

Vinicius Sartorato - De repente, o ex-prefeito de Osasco, Francisco Rossi (PR), vai a público e se diz "descontente" com o secretariado petista no governo de Rogério Lins.

Em seguida, o secretário de Cultura, Gustavo Anitelli (PT), responde o ex-prefeito, dizendo que: "É preciso acabar com a politicagem e a troca de moedas na política.".

Dessa "troca de farpas", a população observa atônita, sem saber como reagir. Se por um lado, Rossi ataca e Anitelli se defende, por outro lado, a população de Osasco mal sabe qual é o projeto político do novo governo.

Infelizmente, a troca de moedas acontece em todas as cidades, em todas as dimensões governamentais do país. Isso não é novidade para ninguém. Mas qual é o projeto de fato? É o projeto do grupo político, o projeto pessoal ou um projeto democrático?

O que os políticos brasileiros esquecem - e não só os da cidade de Osasco, é que a população demanda mais democracia, mais participação, mais transparência e políticas mais efetivas - independente da área de atuação.

Certamente Gustavo Anitelli – que é meu amigo, é um dos mais preparados e expressivos nomes do meio cultural osasquense hoje, mas o projeto dele é o mesmo do prefeito Rogério Lins? Afinal ele foi candidato concorrendo contra o atual prefeito. Ou será que o projeto dele é o mesmo dos artistas e produtores culturais da cidade?

Acredito que ao invés de rebater Francisco Rossi, Gustavo Anitelli, deveria dar respostas ao público e a cidade de Osasco. Deveria mostrar a que veio. Qual é o seu projeto para gestão.

Vale lembrar que há pouco mais de um ano, houve uma chacina na cidade de Osasco, em que jovens da periferia foram assassinados simplesmente por buscarem diversão, em uma cidade que não possui sequer equipamentos culturais acessíveis para maioria da população.

Gostaria de saber de Gustavo Anitelli, quais são ou serão suas ações para a cultura da cidade, para valorizar o Conselho de Cultura, para potencializar as ações dos artistas e produtores culturais da cidade tão esquecidos pelo poder público. Neste sentido, ficarei aguardando de Anitelli uma demonstração efetiva de que sua participação não é apenas "troca de moedas".

 

Vinicius Sartorato, 35 anos, é Sociólogo, Mestre em Políticas de Trabalho e Globalização.

Diário de Bordo, por Ana Polo, cidadã osasquense.

Logo na primeira tarde em Vancouver, após descansar por alguns minutos, a minha “host” me levou até a estação de Skytrain mais próxima, para que eu pudesse comprar o Compass Card, um cartão eletrônico que funciona de modo similar ao nosso Bilhete Único.

Como vou ficar aqui por um mês, optei por pagar a tarifa mensal, que custou cento e quarenta dólares canadenses (1dolar canadense vale R$ 2, 38 reais). Apesar do preço, o Compass Card é muito útil para os usuários do transporte público, uma vez que pode ser utilizado em todos os ônibus e linhas de metrô, sem pagar nada a mais por isso.

Antes de vir para cá, baixei o aplicativo da TransLink, empresa responsável por gerenciar as três zonas em que circulam o Skytrain: (metrô, que possui três linhas: a Expo Line, a Millenium Line e a Canada Line), o SeaBus (balsa que conecta Vancouver a North Vancouver) e as linhas de ônibus, que percorrem toda a cidade e que possuem suporte na parte da frente dos veículos para que os usuários coloquem sua bike.

O que todos esses meios de locomoção têm em comum é a pontualidade. Através do aplicativo, eu sei a hora exata em que o ônibus vai chegar no ponto, o que facilita a vida de todo o intercambista.

Porém, nem tudo são flores. Por ser uma cidade que cresceu muito nos últimos anos, principalmente no que diz respeito à população, o Skytrain costuma lotar nos horários de pico (das 7h às 8h e das 16h às 17h). Muitas vezes, eu e meus amigos temos que esperar o segundo ou o terceiro trem para conseguirmos embarcar.

Apesar disso, nós desfrutamos diariamente do transporte público em Vancouver. Seja para ir à escola ou para visitar pontos turísticos, é através dele que nos deslocamos, com segurança e ar-condicionado, de uma ponta à outra da cidade.

--

Para saber mais sobre o transporte público em Vancouver e o Compass Card, acesse: http://www.borealtrip.com/transporte-publico-em-vancouver-e-o-compass-card/

Ana Polo é nossa primeira “correspondente”, tem 22 anos, é graduada em Letras e realiza seu primeiro intercambio internacional. Viajou para Vancouver, escolhida duas vezes a melhor cidade do mundo para se viver e sede dos jogos olímpicos de inverno em 2010. Vancouver no Canada tem uma população de 604 mil habitantes e um território de 114 km2.

 

Mesmo depois de mais de três décadas sem Elis Regina, muitos brasileiros ainda a consideram a maior cantora da história da Música Popular Brasileira, tanto que sua filha Maria Rita, em seus primeiros Cds gravou muitas de suas músicas, resgatando canções de Milton Nascimento, João Bosco e Aldir Blanc e Belchior, entre outros.

No dia 19 de janeiro de 2017, quinta-feira, o Brasil fez 35 anos sem Elis Regina, que nos deixou em 19 de janeiro de 1982. Nesse período, muitos biógrafos contaram sua história. Revelando um tipo de artista corajosa, crítica da Ditadura Militar e defensora dos compositores e cantores brasileiros. A primeira foi a jornalista Regina Echeverria, que lançou o livro Furacão Elis em 1985.

Nos anos de Chumbo, Elis criticou muito a Ditadura Militar e muitos acreditam que a sua popularidade a manteve fora da prisão, mas por exigência dos generais, foi obrigada a cantar o Hino Nacional no show da Olimpíadas do Exército em 1972.

Apelidada de Pimentinha por Vinicius de Moraes, por causa de seu temperamento, a engajada Elis lançou e turbinou artistas, era uma incansável caçadora de talentos. Entre eles, estão: Ivan Lins (“Madalena”, “Cartomante”, “Aos Nossos filhos”), João Bosco (“Bala com Bala”, “O Mestre Sala dos Mares”, “Dois pra Lá, Dois pra Cá”, “O Bêbado e a Equilibrista”), Gilberto Gil (“Ensaio Geral”, “Roda”, “Lunik 9”), Milton Nascimento (“Canção do Sal”, “Morro Velho”, “Cais”, “Nada Será Como Antes”), Belchior (“Como Nossos Pais”), Fagner (“Mucuripe”), Gonzaguinha (“Redescobrir”), Renato Teixeira (“Romaria”) e outros.

A música “O Bêbado e a Equilibrista” virou o hino pela anistia e contra a mal-intencionada Ditadura Militar e seu álbum “Falso Brilhante” de 1976, apresentado em forma de show no Teatro Bandeirantes atingiu 1200 apresentações, sem esquecer das críticas ao Regime Militar.  O mesmo palco do seu velório em 1982, onde milhares de pessoas foram se despedir.

Neste 2017, um ano difícil para todos nós, com um governo usurpador e conservador que quer destruir nossa Constituição, retirando direitos e conquistas, em nome de uma falsa reconstrução nacional, Elis faz muita falta, mas podemos dizer que o furacão Elis nos deixou, mas não foi embora de nossos corações e mentes.

Em homenagem à Elis Regina e a todos que repudiam até hoje a Ditadura Militar, reproduzimos aqui a música e a letra de “O Bêbado e a Equilibrista”. Leitor do Planeta Osasco, curta a música e a letra desse hino pela liberdade.

 

O Bêbado e a Equilibrista

João Bosco e Aldir Blanc

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
A lua tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil
Meu Brasil!

Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora
A nossa Pátria mãe gentil
Choram Marias e Clarisses
No solo do Brasil

Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha
Pode se machucar

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar.

 

Marco Aurélio Rodrigues Freitas é jornalista, historiador e professor das redes municipal e estadual de São Paulo. Escreve todas as semanas no site Planeta Osasco. 

Por Lívia Gouvêa - Me dizem abençoada porque poesia é o jeito mais bonito de transparecer.

Mas tudo que enxergo, penso, grito, digo e repito é sempre tão mudo e opaco quanto o mais duradouro silêncio que sou obrigada a adotar.

Obrigada porque resido numa cidade onde réu e rei, onde a juventude dita revolucionária está em constante guerra contra ela mesma, onde se escondem verdades e se promovem injustiças.

Uma cidade cujo cenário faz tempo não muda. Obrigada porque a doença do cálice se prolifera junto aos pombos, acabando com os cidadãos de boa intenção de dentro para fora. E nós tentamos lutar pelo certo e pelo justo, só que se esgotam as forças.

Esgota o bom senso, aumentam os buracos. Os buracos do nosso asfalto e os buracos da nossa razão, que enquanto move as mãos pela cidadania, é golpeada para mover os pés pelo jogo sujo.

O pior é quando nós, cidadãos, acreditamos na ordem e vemos tantos outros de nós a favor do caos. E enquanto tentamos abrir olhos alheios, acabamos fechando os nossos próprios. E falo de Osasco. Cidade que abriga pessoas que têm orgulho do título de osasquenses, mas não são permitidas a enxergar além disso.

Nos bastidores das nossas ruas, dos nossos vários shoppings, das nossas obras e tudo que nos cerca, existe uma rede de negociações que não inclui de forma integral a democracia. E a esmagadora maioria de nós está de acordo com tudo isso, porque não consegue mais discernir o viável do ridículo.

A luta está sendo enfraquecida pelo próprio povo. Registro aqui meu enorme apelo subjetivo para nos juntarmos, para a cortina nebulosa se dissipar. Vamos conversar.

"Esperar pra ver" menos para diminuirmos a chance de afundarmos Osasco no poço com sorriso no rosto.

Por Lívia Gouvêa

Publicado inicialmente no PlanetaOsasco.com

O PlanetaOsasco.com abre espaço para uma das maiores ocupações de Osasco -Comunidade Esperança- expor suas necessidades e conquistas;

Localizada no extremo da zona norte, próximo ao Jd. Santa Fé, o acesso ao local ainda é de terra e mais de 500 famílias superaram incêndio que destruiu 50% de sua área.

O Texto é de autoria de pessoas que vivem na Comunidade. Confira na íntegra. 

--

Ocupação Esperança defende cidade que atenda às necessidades dos “de baixo”

Via Comunidade Esperança - Os baixos salários, o desemprego crescente e o alto preço dos imóveis e alugueis, somados aos sacrifícios do malabarismo para que o pouco “que entra” dê conta daquilo que se precisa para sobreviver, faz com que as ocupações de terra se tornem uma necessidade para quem é pobre e trabalhador. Assim, há três anos e meio, na zona norte de Osasco (uma das regiões mais pobres e populosas da cidade) surgiu a Ocupação Esperança como fruto de uma luta por moradia que questiona o modo como a cidade é governada.

Desde agosto de 2013, aproximadamente 500 famílias se organizaram juntamente com o movimento Luta Popular e construíram um verdadeiro bairro, com ruas e vielas, energia, esgoto, praças, cinema para as crianças, aulas de capoeira, reunião de mulheres, saraus e atividades culturais. Tudo é decidido em assembleia e realizado coletivamente, e os moradores, sem esperar nada dos governos que só governam para os “de cima”, constroem juntos um bairro, pensado a partir de suas necessidades.

Várias foram e seguem sendo as dificuldades que a comunidade enfrenta para conquistar esse território cuja dinâmica é forjada pela mobilização popular. Já houveram tentativas de incêndios criminosos, ameaças de morte por “jagunços”, ações na justiça para acelerar o despejo das famílias e inércia do poder público. Contudo, no dia 13 de setembro um incêndio de proporções dantescas devastou quase metade da ocupação, deixando 250 famílias sem nada, pois apenas tiveram tempo de salvar a si próprios e a seus filhos. Além de todo o sofrimento, a polícia chegou a agredir e prender o advogado do movimento que negociava a entrada das pessoas para encontrarem os familiares e procurarem pertences em meio às cinzas.

Incêndio no final do ano passado - IMG Z1

Não fosse a força da trajetória da Esperança, não teria sido possível que hoje, há 4 meses da tragédia, a comunidade esteja praticamente toda reconstruída e que nenhuma pessoa tenha deixado a luta. Com o apoio e solidariedade de outros moradores e moradoras de Osasco, movimentos, sindicatos e coletivos, as famílias reergueram as casas com bloco e alvenaria, conseguiram abrigar e acolher quem teve seu barraco incendiado, e agora já planejam o início das obras para a construção do barracão que será a creche comunitária e espaço para atividades e reuniões.

Contudo, mesmo com toda a capacidade de organização do movimento na batalha para conquistar um teto digno para morar, existem questões estruturais e de responsabilidade dos governos que precisam ser atendidas. Infelizmente, embora Lapas tenha feito um decreto - depois de muita pressão dos moradores - sinalizando a possibilidade de construção de um projeto habitacional para as famílias, as demandas de apoio para reestruturação da rede de energia, água, esgoto, e pavimentação do bairro foram negligenciadas pela Prefeitura. E desde Rogério Lins ganhou as eleições em 2016, o Luta Popular tem procurado marcar uma conversa para cobrar uma posição sobre a urbanização do bairro e a efetivação do Decreto de Desapropriação para fins de habitação de interesse social. Na manhã desta terça-feira foi protocolado um ofício no gabinete do Prefeito solicitando o agendamento de reunião para debater a situação da Ocupação Esperança. Caso não sejam atendidas, as famílias prometem fazer passeata para cobrar o Município.

Localizada no extremo da Zona Norte de Osasco, apenas 1 linha de ônibus (com ponto distante) atende o novo bairro - IMG GMaps CMIO

Numa cidade marcada pela quantidade de moradias precárias e onde morar dignamente é um privilégio, os governantes, que deveriam enfrentar o problema da moradia e da qualidade de vida nos bairros (vide a situação do Rochdale e seus rotineiros alagamentos, apenas como exemplo) são acusados em gravíssimos escândalos de corrupção. Por isso, o movimento defende que nenhum deles tem legitimidade para governar a cidade! Se e os governos só atendem aos privilégios dos “de cima”, é preciso fechar as ruas para abrir caminho para uma cidade onde as necessidades dos “de baixo” sejam garantidas.

Via Comunidade Esperança

Publicado pelo PlanetaOsasco.com 

IMG1 Estado

Nos anos de Chumbo, Chico Buarque era o compositor mais perseguido pela Ditadura Militar, como forma de protesto e rara inteligência compôs com Francis Hime a música MEU CARO AMIGO em 1976, depois dos assassinatos de Alexandre Vannuchi Leme (1973), Vladimir Herzog (1975) e de Manoel Fiel Filho (1976), entre outros tantos e no começo da luta pela Anistia. Um choro que fala do Brasil da época e da dificuldade de se falar o que  se pensava, sempre sofrendo a repressão dos militares.

Acredito que a liberdade é tudo na vida. Liberdade de pensar, de agir, de expor seus pensamentos. Mesmo que para isso tenha que enfrentar moinhos de vento e pensamentos saudosos do período autoritário que dominou nosso pais em uma  época. Há,  a historia de uma estrofe perdida da letra, mas isso não importa. O que importa, mesmo, é o sentido da música que revela um Brasil, que não queremos mais.

Em homenagem à liberdade e ao povo que sonha com ela todos os dias, resolvemos reproduzir a letra da música de Chico Buarque e Francis Hime. O resto é com você leitor, nossa razão de tudo. Ouça a música no youtube, leia a letra no PlanetaOsasco e tire suas conclusões com toda liberdade.

 

MEU CARO AMIGO

(Chico Buarque de Holanda e Francis Hime)

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra 'tão’ jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando, que também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo pessoal                                                                                                        

Adeus

 

Marco Aurélio Rodrigues Freitas é jornalista e professor das redes municipal e estadual de São Paulo. Escreve todas as semanas no site Planeta Osasco. 

Página 7 de 16