Redação

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A situação não está fácil na Secretaria da Cultura de Osasco. No último dia 19, um conselheiro de 71 anos foi agredido por outro, de 26 anos. O idoso tentava impedir o possível desvio de documento que comprovaria válida reunião sobre repasse de recursos do Fundo Municipal (em torno de R$600mil). Em exames de corpo de delito, teriam sido comprovadas as escoriações. Duas versões circulam nas redes sobre o ocorrido e boletim de ocorrência foi registrado.

Entenda;

A disputa entre um grupo político e conselheiros eleitos da sociedade terminou em confusão.

Como justificativa à agressão ao idoso (da sociedade civil), pessoas do agrupamento político afirmaram que 'isso só aconteceu' como resposta às 'agressões' que o mesmo teria feito contra uma mulher (do próprio grupo). Fato refutado por testemunhas.

O PlanetaOsasco obteve acesso ao relato assinado por representantes públicos, bem como parte do boletim de ocorrência lavrado no próprio dia 19 de dezembro, cujo conteúdo acende o sinal amarelo sobre a administração da verba do Fundo Municipal de Cultura e joga pressão no recém-nomeado Sebastião Bognar, presidente do conselho e Secretário Municipal da Cultura.

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Leia a íntegra do documento obtido; o Relato foi protocolado na Secretaria da Cultura e encaminhado ao delegado titular da 5a DP.

 

 

RELATO DA REUNIÃO DO CONSELHO MUNICIPAL DE POLÍTICAS CULTURAIS

(ComCultura) de Osasco da terça-feira 19 de dezembro de 2017

 

Devidamente convocada por edital publicado na Imprensa Oficial do Município de Osasco (IOMO), com dois itens na ordem do dia (a saber: o Edital de Ocupação dos Espaços Culturais da cidade no ano de 2018 e o Edital de Convocação das Eleições para o próximo Conselho), a reunião extraordinária do ComCultura realizada em 19 de dezembro de 2017 na Escola de Artes Antonio César Salvi iniciou-se às 19h10, após a constatação do quórum regimental mínimo de metade mais um de seus membros. Estavam presentes os conselheiros titulares, regularmente eleitos em certame público no ano de 2016 ou indicados pelo atual prefeito de Osasco, senhor Rogério Lins: 1) Pela sociedade artístico-cultural: Renato Reis (vice-presidente do ComCultura, da cadeiraTeatro e Circo), Carlos Sartorelli (secretário-geral do ComCultura, da cadeira Literatura), Guinha Conserva (Artesanato), José Carlos Índio da Silva (Dança e capoeira), Nalva Meirelles (Música), Eva Coutinho (Patrimônio histórico) e Gabriel Yuko (Artes visuais e grafite); 2) Pela Administração Municipal: Antonio Rodrigues (Toninho) (Secretaria da Cultura) e Abud (Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Inclusão, SDTI); 3) Pela Sociedade Civil: Antonio Roberto Espinosa (Ensino Superior). Todos os conselheiros efetivos assinaram a lista de presença trazida pelo ator e representante da Secretaria de Cultura Toninho Rodrigues. 

Tiveram também assento à mesa disponibilizada pela Secretaria da Cultura e assinaram a lista de presença oficial a professora Maripenha Camargo  (cadeira de Dança) e os atores de rua Luiz Carlos Chechia (Setorial de Artes Visuais e Grafite) e sua companheira Camila Costa Melo (Setorial de Audiovisual), que reivindicam a condição de conselheiros suplentes com base na contestada reunião de 18 de setembro, que, aliás, continua sem ata e suas “decisões” sem a imprescindível publicação no IOMO. Assistiram à reunião também: o ator Dario Bendas, e os senhores Thiago Ribeiro e outros, todos de ocupação cultural e profissão desconhecidas. Devido a ausência do presidente do ComCultura, o secretário da pasta Sebastião Bognar, a reunião foi presidida pelo vice do ComCultura Renato Reis. 

  1. Informe da ordem do dia. Os dois pontos acima da ordem do dia foram informados pelo representante da Secretaria da Cultura, Antonio Rodrigues.
  2. Solicitação de nulidade dos atos do ComCultura desde 18 de setembro. O conselheiro Espinosa cobrou a inclusão na ordem do dia de dois pontos protocolados por ele, em 10 de outubro p.p., a saber, a) A constituição de uma Comissão Permanente de Ética e a submissão a ela de conselheiros cujo comportamento vinha deslustrando o Conselho; e b) A nulidade da reunião ordinária de 18 de setembro p.p. e todos os atos subsequentes do ComCultura, vistas as irregularidades daquela reunião e que nenhum deles foi registrado em ata pública ou publicado pela Imprensa Oficial. Ele enfatizou que seriam nulas tanto as nomeações de conselheiros biônicos quanto seu próprio desligamento do conselho, uma vez que não publicados pelo IOMO. Informou ainda que, por dever moral, se achava presente, por ainda ter uma última esperança de ver o ComCultura reconduzido às boas práticas da lelglalidade, moralidade e da transparência.
  3. Votação somente dos conselheiros regulares. O conselheiro José Carlos Indio objetou que o edital publicado previa a discussão somente dos dois editais informados por Toninho Rodrigues. Esses dois pontos, para ele, de fato, seriam fundamentais para a  regulação das atividades culturais na cidade durante o próximo ano. Considerando a urgência de sua publicação, propôs que outras decisões, mais polêmicas, fossem deixadas para uma próxima reunião, como, por exemplo, a necessária declaração de nulidade da reunião de 18 de setembro, quando ele próprio foi proibido de votar, desfigurando-se a maioria, devido à invocação falsa de uma cláusula estatutária pela conselheira Eva, que havia se apresentado como voluntária para secretariar os trabalhos. Conforme ele, contudo, apesar da urgência dos dois pontos da ordem do dia, a partir de agora é imprescindível que todos os atos do conselho sejam revestidos da mais estrita legalidade. “Praticamente tudo que o Conselho decidiu desde setembro pode ser objeto de ação do Ministério Público por irregularidade”. Segundo ele, teriam que ser votados os dois pontos da ordem do dia, mas sem qualquer sombra de irregularidade, pois ambos implicariam o uso de espaços públicos e, portanto, recursos públicos. Ele recomendou, por isso, que, independentemente da apuração e correção de desvios do passado – que deveriam ser realizados em outra reunião – que, a partir deste momento, todos os atos do Conselho passassem a se pautar pela mais estrita legalidade, até para prevenir sua eventual anulação pelas instâncias de Direito. E analisou que isso seria perfeitamente possível, uma vez que, contados apenas os conselheiros legalmente constituídos (ou seja, eleitos em votação direta e incontestável no ano de 2016), havia quórum suficiente para a reunião e que o direito de voto fosse exercido exclusivamente por eles, resguardando-se, contudo, o direito de fala aos suplentes regulares e contestados.

A proposta de Índio foi colocada em votação pelo presidente da reunião e aprovada sem objeções de qualquer dos presentes. 

  1. Textos ocultados dos conselheiros. A conselheira Guinha Conserva, antes do início da leitura, ainda protestou pelo fato de os dois editais não terem sido, como é prática consagrada no Conselho, enviados por e-mail aos conselheiros, para prévio conhecimento, registrando a possibilidade de práticas, no mínimo,  nebulosas por parte do Grupo de Trabalho encarregado, em comunhão com setores da Secretaria da Cultura. 

O conselheiro Gabriel Youko informou que o GT decidiu nada divulgar ao Conselho, pois, em vezes anteriores, os conteúdos de documentos ainda não aprovados pelo Conselho haviam “vazado”, propiciando que interessados tivessem informação privilegiada, desmantelando a necessária equidade entre os concorrentes. 

Guinha redarguiu que, se no passado, houveram “vazamentos”, estes deveriam ser apurados e punidos, ao invés de se suprimir as práticas democráticas no funcionamento do Conselho.

Informando que, “infelizmente”, não seria possível corrigir as condutas  anteriores, mas somente as futuras, inclusive a não informação necessária anterior aos conselheiros, o presidente solicitou cópia dos documentos e iniciou sua leitura. “Se algo estiver irregular, é só pedir destaque e nós discutiremos”.

  1. Primeira interrupção e quebra de mesa. Quando o presidente começava a ler a proposta do Edital de Cessão dos Espaços Culturais, um membro da plateia vestido de preto, chamado Thiago Ribeiro, levantou-se bruscamente e esmurrou uma mesa de plástico, pertencente à Escola de Artes, e portanto ao patrimônio do Município, quebrando-a, e depois se retirou acintosamente do recinto.
  2. Segunda interrupção e retirada de dois conselheiros. O presidente dos trabalhos reiniciava a leitura do edital quando a conselheira Eva causou nova interrupção, ao levantar-se e dizer que se absteria da votação, retirando-se do recinto, acompanhada pelo conselheiro Gabriel e os atores de rua Checchia, Camila e parte da plateia.
  3. Terceira interrupção: invasão da sala, danificação e furto de documentos. As pessoas que se ausentaram da sala, entretanto, ficaram no corredor confabulando, enquanto o presidente dos trabalhos retomava uma vez mais a leitura do edital. Cerca de quinze minutos após abandonar a sala, o grupo minoritário, sob a liderança dos senhores Chechia  e Yuko, invadiu, sincronizado e  abruptamente, o recinto. A atriz de rua Camila pegou a lista de presença, com três páginas, das mãos de Toninho Rodrigues e a rasurou (o que gerou protesto de Índio), passando a lista à conselheira Eva, que começou a amassá-la e fez gestos indicando que iria rasgá-la. Tratava-se de um documento público e tinha caráter oficial. Sentado do outro lado da mesa, o conselheiro Espinosa percebeu que a intenção do grupo invasor era tumultuar e impedir a continuidade da reunião pela força. Levantou-se para tentar tirar o documento das mãos de Eva, que rapidamente puxou a lista com sua mão esquerda. Ele ainda conseguiu puxar uma das três folhas da lista de presença (que a seguir seria novamente confiada à guarda do representante da Secretaria da Cultura, Toninho Rodrigues). Vendo que Eva amarrotava e embolotava as outras duas páginas da lista de presença e as enfiava em sua bolsa, ele segurou uma das laças de sua mochila, quando foi violentamente assediado pelo conselheiro e grafiteiro Gabriel Yuko (fato narrado abaixo). A conselheira Eva aproveitou-se disso para enfiar o documento público na mochila e sair correndo da sala de reuniões. Essa ocorrência foi comprovada, duas horas mais tarde, na 5ª Delegacia de Polícia, quando a delegada de plantão, Dra. Márcia Cristina da Silva Sá, conforme atestado pela Ocorrência Policial 900229/2017, apreendeu o documento que, amassado e danificado, foi retirado da mochila de Eva. Isso caracteriza furto ou, no mínimo, apropriação indébita de documento público.
  4. Agressão a conselheiro e danos ao patrimônio público. Assim que o conselheiro Espinosa segurou a alça da mochila de Eva, no esforço vão de prevenir o crime de apropriação e desvio de documento público, o também conselheiro Gabriel Youko, usou força bruta para afastá-lo, empurrando-o para trás, por quase 2 metros. Gabriel agarrou o lado esquerdo de seu peito com as unhas, aplicando-lhe sucessivos beliscões. Sem outra alternativa de defesa, Espinosa empurrou-o, podendo, nesse esforço, eventualmente, ter atingido seu rosto. No dia seguinte, 20 de dezembro, a equipe de perícias médico-legal de Osasco atestou os hematomas de 15 centímetros de diâmetro no peito de Espinosa, de 71 anos e deficiente cardíaco e auditivo, além das escoriações generalizadas produzidas pelas unhas de Gabriel. Youko foi o último dos invasores a deixar a sala de reuniões, já parcialmente destruída. Mas voltou uma vez mais, correndo, e chutou violentamente uma cadeira de plástico preta, que passou em grande velocidade entre os conselheiros, arrebentando-se contra uma parede, o que colocou em risco a integridade física dos presentes. 
  5. O boletim de ocorrência 900229/2017. Embora os conselheiros das sociedades civil e artístico-cultural pretendessem continuar a reunião, dada a importância dos editais para a classe cultural, o representante da Secretaria de Cultura, Toninho Rodrigues, considerando que não havia mais clima para isso, decidiu interromper os trabalhos. Os conselheiros tomaram, ainda, algumas decisões, como a de registrar a ocorrência no Plantão da 5ª DP, para a recuperação do documento furtado por Eva. Lá encontraram os invasores, que também registravam ocorrência, colocando-se na condição de vítimas. Os depoimentos das duas partes e as decisões preliminares da delegada Márcia Cristina da Silva Sá constam do BO 900229/2017.
  6. Decisões tomadas pelos seis conselheiros civis. Convencidos de que o tumulto tinha o objetivo de sabotar o Conselho de Cultura, forçar a publicação dos editais sem passar pela sociedade organizada e que o furto de documentos, a destruição de patrimônio público e as agressões físicas constituem crimes, passíveis de multas e punições, os conselheiros decidiram também encaminhar este relato, por ofício, ao Presidente do Conselho e Secretário da Cultura Sebastião Bognar, solicitando a imediata tomada das providências exigidas legalmente por seu cargo e as citadas abaixo,  e à 5ª DP, para anexação aos autos, além de constituir uma Comissão de Ética para a apuração dos fatos.
  7. Solicitações ao Secretário da Cultura. Os seis membros infra-assinados, por unanimidade, decidiram encaminhar este relato ao titular da Secretaria da Cultura, senhor Sebastião Bognar, para a tomada das devidas providências de ofício, enfatizando algumas recomendações:
  1.  O envio de ofício e de um funcionário credenciado à 5ª DP para o resgate do documento oficial furtado por Eva Coutinho, duas das três páginas da lista de presenças da reunião. Esta recomendação foi feita pelo escrivão de polícia André Luiz Rocha da Silva, que ouviu os depoimentos de todas as partes, como única forma de reaquisição do documento retido pela delegada Márcia Cristina;
  2. A responsabilização civil e criminal da conselheiras Eva Coutinho, e do grupo invasor da reunião, pela apropriação indébita de documento público;
  3. A responsabilização civil e criminal de Gabriel Youko e Thiago Ribeiro, pela destruição de patrimônio público;
  4. A responsabilização civil e criminal por agressão física praticada por Gabriel Yuko;
  5. A responsabilização civil e criminal de Luis Carlos Checchia, Gabriel Yuko, Camila  Costa, Thiago  Ribeiro pela alteração da ordem na Escola de Artes. 
  6. A retomada das filmagens em vídeo das reuniões do ComCultura, para evitar boatos e calúnias posteriores, como a campanha de descrédito ao conselho e conselheiros por parte do grupo invasor;
  7. Por sugestão do escrivão de polícia André Luiz, convocação de uma guarnição da GCM para garantir a ordem nas próximas sessões do Conselho.
  1. Constituição da Comissão de Ética. Fatos como os da reunião deste dia 19 de dezembro de 2017 e os comportamentos insultuosos e deselegantes dos mesmos conselheiros e membros da plateia de suas reuniões, pelo menos desde o início de 2017, mas sobretudo desde a reunião de 18 de setembro de 2017, são completamente inaceitáveis e constituem motivo de vergonha e profundo desconforto para os demais conselheiros, além de provocarem descrédito e prejuízos não apenas ao Conselho, mas a todos os segmentos da produção cultural no município. A unanimidade dos seis conselheiros solicita, portanto, a inclusão na ordem do dia da próxima reunião, a realizar-se no próximo mês de janeiro, dos seguintes pontos:
  1. Constituição de uma Comissão Permanente de Ética. Esta deve ser um ponto do GT de normas, que prepara proposta de alteração do regimento interno;
  2. Constituição de Comissão Emergencial de Ética. Nos termos do regimento em vigor e da lei que regula o Conselho. Para apurar os comportamentos acima narrados de conselheiros e produtores culturais na reunião de 19 de dezembro. Sugere-se que ela seja composta por três pessoas: I – O representante da Secretaria de Negócios Jurídicos na Comissão; II – Um membro do GT normativo do Conselho de Cultura; III– Um representante da Sociedade Civil/Sociedade Artístico-Cultural. 
  3. Submissão à Comissão Emergencial de Ética dos conselheiros Eva Coutinho e Gabriel Youko, dos pleiteantes nomeados como Luiz Carlos Checchia e Camila Costa e do depredador de patrimônio Thiago Ribeiro, e também envolvido nos fatos narrados.

 

Assinam este relato os seguintes conselheiros titulares:

 

Renato Reis – Cadeira de Teatro e Circo:________________________________

 

Carlos Sartorelli – Cadeira de Literatura: ________________________________

 

Nalva Meirelles – Cadeira de Música:  __________________________________

 

Carlos Índio da Silva – Cadeira de Capoeira e Dança: _______________________

 

Guinha Conserva – Cadeira de Artesanato: _______________________________

 

Antonio Roberto Espinosa – Sociedade Civil, cadeira de Ensino Superior: _______ 

 

 

Conteúdo enviado para CMIO Coletivo de Mídia Independente de Osasco

Conteúdo confirmado por CMIO

26 27/12/2017

Opinião do professor MARCO AURÉLIO

Uma carroça, muito papelão, ruas cheias de gente na época do natal e um país que segrega pessoas.

Na esquina da rua João Crudo com a Marechal Rondon, saindo do Bradesco, cruzei com um homem, que descia a rua em direção ao farol da Antônio Agu com a Marechal Rondon.

Ele empurrava uma carroça cheia de papelão. Pensei, então que poderia conversar com ele e lhe fazer perguntas sobre a vida.

Me aproximei e comecei a conversa:

-- Bom dia senhor, sou professor. Negro, alto, físico atlético, olhos brilhantes, olhando pra mim, respondeu:

-- bom dia, senhor.

Ao quebrarmos o gelo inicial, falando um pouco da vida de cada um de nós, iniciei minhas perguntas:

-- Quanto você recebe por quilo de papelão? Tem muito papelão aí? Qual sua idade? É aposentado? Mora onde?

-- recebo R$ 0,30 centavos por quilo. Tenho 74 anos. Sou aposentado sim, completo minha renda recolhendo papelão. Moro em Itapevi.

Durante a conversa, o homem me disse que seu carrinho estava com cerca de 150 quilos, o que vale mais ou menos 45 reais. E disse mais, que se estivesse recolhendo papelões pela cidade, não teria recolhido tanto papelão.

O resultado da carroça cheia era porque ele pegava tudo de uma vez, numa única loja do centro da cidade. Pena, disse ele, que o novo gerente da loja quer acabar com a coleta individualizada para fazer parceria com uma empresa especializada em recolher todo o material, sem a participação de catadores.

É uma empresa que recolhe papelões em muitas cidades. Nesse processo, a loja deixa de gastar dinheiro com pessoas, mas o que a gente percebe é o surgimento de uma relação comercial entre empresas. Provavelmente, a empresa que recolhe os papelões venda o quilo por mais de R$ 2,00 reais. Um lucro e tanto.

Uma perda enorme para os milhares de catadores espalhados por aí. Saí da conversa pensando, como é difícil ser pobre no Brasil. Mesmo com todas as políticas públicas dos últimos anos, como a Bolsa Família, o PROUNE, o FIES, o ENEM, o Ciência sem Fronteiras, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, além de todas as políticas de cotas, que têm levado milhares de jovens mestiços e afrodescendentes a melhorar de vida econômica e socialmente.

Saí com a impressão que, apesar de todos os nossos esforços, para acabar com a Ditadura Militar e trazer o Brasil de volta à democracia, ainda não conseguimos reduzir como deveríamos a miséria do país.

Como canta Caetano Veloso, “O Haiti é aqui” Nossa elite não quer que as coisas melhorem por aqui. Por aqui, a culpa do que não dá certo é sempre do trabalhador. E tirar direitos é uma obsessão do velho Centrão que hoje voltou a ocupar o centro da política brasileira. Destruir meio ambiente e impedir a eleição de políticos progressistas também são obsessões desse grupo político.

O catador que eu encontrei, sem querer, é o retrato que querem manter no Brasil. 74 anos, aposentado mas catando papel para completar uma renda insuficiente. Mesmo forte, precisa andar por toda a cidade em busca de R$ 0,30 centavos por quilo de papelão.

Marco Aurélio Rodrigues Freitas é jornalista, biomédico, historiador e professor das redes municipal de estadual de São Paulo. Escreve todas as semanas no site Planeta Osasco.

A internet mudou e agora quase tudo é voltado para as redes sociais. Mas, enfim, como uma empresa poderia focar nas redes (facebook, twitter, linkedin, etc...) sem ter seu próprio site?

A verdade é que toda empresa, independentemente de seu tamanho, precisa de um endereço web (www.) para poder referenciar seus conteúdos de maneira correta nas redes sociais. Além disso, o site oferece a autoridade e confiança que os clientes precisam quando estão pesquisando sobre seus produtos e serviços.

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P.O.

ALGUMA COISA ESTÁ FORA DA ORDEM...

Nós, do Coletivo Mídia Independente de Osasco, por respeito à opinião pública e à função jornalística, decidimos esperar informações mais detalhadas sobre a tragédia da moradora osasquense em frente à UPA Centro, para então publicar algo sobre.

Segundo informações repassadas por moradores da cidade, a moradora foi levada à UPA Centro por um motorista da viação Urubupungá. Conforme você vê no vídeo(circulando nas redes), através de uma voz ao fundo, ela não foi atendida e, simplesmente, funcionários da UPA mandaram chamar os bombeiros e ligar para o 190, segundo o narrador do vídeo. Enquanto isso, a moradora falecia dentro do ônibus.

Além disso, quando os bombeiros chegaram, teriam se indignado pelo fato de a moradora -já em óbito- estar há menos de 50 metros do corredor central da UPA, sem que tivesse sido levada para pronto atendimento.

A polícia civil lavrou boletim de ocorrência e apura omissão de socorro por parte da UPA Centro. Ninguém do Governo Rogério Lins, responsável pela fiscalização da UPA, se manifestou -à exceção de uma nota online sem assinatura formal.

Leitor, você pode ver três documentos ao final dessa matéria: um vídeo mostrando a moradora já falecida no ônibus (segundo relatos), outro vídeo de um médico pedindo soluções para a saúde de Osasco e uma nota oficial (provavelmente da UPA) lamentando a morte da moradora. Vendo as três, tomamos a liberdade de fazer algumas perguntas, diante das contradições entre elas. Como jornalistas, essa é nossa obrigação.

  1. Qual o nome da moradora?
  2. Quem é o motorista que agiu corretamente ao desviar sua rota e levá-la diretamente para o atendimento da UPA?
  3. Por que a imprensa só obteve retorno das polícias civil e dos bombeiros, e não das autoridades municipais?
  4. Por que a nota oficial só foi divulgada depois do sepultamento de moradora?
  5. Quais os nomes dos cinco médicos que atenderam a moradora e onde estavam no momento do vídeo?
  6. Onde foi atendida? Se foi atendida na UPA, como ficou dentro do ônibus como mostra o vídeo?
  7. Se o mal súbito da osasquense foi na região próxima à UPA, como foi atendida por cinco médicos sem registro no vídeo?
  8. Se encaminharam a senhora para o interior da UPA, por que no vídeo se fala em ligar para o 190?
  9. Se a moradora foi atendida pelos médicos, como se explica o vídeo da senhora morta no corredor do ônibus?
  10. Se vai haver a instauração de uma sindicância, qual o sentido da nota oficial? A administração Lins pode descartar omissão?
  11. Por fim, por que a imprensa local não divulgou um fato tão sério e grave para a cidade? Por qual razão tantas dificuldades para apurar o caso?

As reflexões e conclusões são suas, caro leitor e leitora...

Imagens postadas em redes sociais

Nota oficial:

Com relação ao óbito da senhora, de 70 anos, que viajava de ônibus quando foi acometida por um mal súbito na região próxima à  Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Centro, no município de Osasco, ocorrido na quinta-feira, 7/12, o ISSRV, gestor da unidade, lamenta profundamente o acontecido e informa que a paciente foi prontamente atendida na UPA, tendo recebido a atenção de cinco médicos e realizados todos os procedimentos clínicos necessários.
O socorro, feito pelo corpo de bombeiros, que a encaminhou à UPA Centro, foi realizado pela corporação como é regulamentar em casos em que um mal súbito ocorre dentro de veículo, em trânsito, devido aos procedimentos protocolares que precisam ser seguidos.
No entanto, o Instituto em conjunto com a secretaria de Saúde de Osasco irá instaurar uma sindicância para apurar o fato ocorrido.

 

CMI -     COLETIVO MIDIA INDEPENDENTE

Há 16 anos, tradicionalmente no segundo domingo de dezembro, o evento Cultura na Vila apresenta ações culturais independentes, feiras de artesanato, literatura, gastronomia, moda, música, dança, teatro e circo, além do espaço criança.

Literalmente independente, o evento conta com a organização do artista Erton Morais e o apoio e patrocínio dos próprios artistas.

 

Saiba mais sobre o Cultura na Vila;

O Movimento TroKaosLixo apresenta mais um ‘Cultura na Vila’, Edição 16 Anos!
Muita música arte, cultura, educação, brincadeiras, crianças, amizade, vizinhança e tudo mais de bom!

Evento aberto e gratuito!!!
E não se preocupem com a chuva, estaremos preparados!

PROGRAMAÇÃO
- DJ Vagué
- 13h - Cochicho de Boteco (choro)
- 14h - Orquestra de Violeiros do Brasil (mpb)
- 16h - Classe A Dominado (rap)
- 17h - Baudelaire (post punk)
- 18h - Blue Shot (blues)
- 19h - Duo Libertad (latina)
- 20h - Nagueta (rock)
- das 13 às 20h - Feira de Artesanato Coletivas - Eventos e Multiartes
- Dia todo - Espaço criança com infláveis, cama elástica, recreação e oficinas de arte.
- A qualquer momento: atração surpresa!

O QUE É O CULTURA NA VILA?
O Cultura na Vila é uma iniciativa popular e sociocultural idealizada pelo Movimento Trokaoslixo, que une diversos setores sociais para a realização do tradicional evento de fim de ano no bairro Vila Osasco. Ação que acontece desde 2002, sempre no segundo domingo de dezembro, por meio de planejamento articulado com coletivos sociais e moradores, setor privado e poder público; é realizado um grande evento para o intercâmbio das diferentes culturas do nosso país, através de shows musicais, teatro, dança, artes visuais, brincadeiras, artesanato, gastronomia, estudos sociais, economia criativa, e, principalmente, o compartilhar de saberes, executando assim, o exercício de cidadania em redes humanas, para ajuda e organização popular, com enfoque na valorização do indivíduo pela arte e pela sua própria história.

POR QUE ELE ACONTECE?
Ao longo destes anos, cientes do exponencial aumento do “lixo cultural” e das condições precárias dos grandes centros urbanos, o Cultura na Vila atua a partir de uma rede sociocultural de coletivos e pessoas engajadas em partilhar. Transformamos as situações vividas pelos participantes em conteúdos significativos, promovendo uma ação desenvolvida na rua, local que a partir disso torna-se um espaço de aprendizagem qualificado para contribuir na construção de uma sociedade mais justa, que reconheça e priorize o respeito às diferenças, os dizeres e os saberes de cada um. Todo esse trabalho é realizado num contexto de fusão entre o meio artístico, carente de espaços, e a sociedade, carente de referências positivas de convivência.

O QUE ACONTECE?
Pelo décimo sexto ano consecutivo, a ação promove em Osasco um Grande Evento Sociocultural; desperta nos visitantes e moradores locais o gosto pela arte; dialoga opiniões públicas; aproxima o poder público da comunidade; gera renda ao comércio e empreendedores locais, e principalmente, promove o bom convívio humano e o respeito às diferentes culturas.

 

LOCAL

Rua Cláudio Manoel da Costa, Vila Osasco, Osasco - SP, 06080-060, Brasil

DATA E HORA

Dia 10/12, entre 10h até 22h

A Galinha Pousou

por Marcelo Zero, via e-mail

A mídia e o governo tentam disfarçar, mas o resultado pífio do terceiro trimestre de 2017 desapontou todo o mundo.

O crescimento foi de apenas 0,1% sobre o trimestre anterior, quando a prévia do Banco Central era de 0,58%.

Na prática, isso significa economia estagnada. Mais que “pibinho”, é PIB microscópico, um “nanopib”.

O “nanopib” do Golpe foi aferido após o IBGE revisar a sua série e dessazonalizá-la.

Descobriu-se, com isso, que a “recuperação” econômica, o voo de galinha do início deste ano, impulsionado pelas exportações agrícolas e pela liberação do FGTS, perdeu força. A galinha pousou, como mostra o gráfico a continuação.

Neste ano, ao contrário das previsões panglossianas dos apoiadores do Golpe e da sua ultraortodoxia, o crescimento ficará abaixo de 1%. Zero vírgula alguma coisinha ridícula. Um “nanopib” anual.

A mídia e os “especialistas”, no entanto, tentam disfarçar o desastre com contorcionismos lógicos e sofismas que fariam corar Górgias.

Falam do crescimento de 1,2%, neste terceiro trimestre, do consumo das famílias, como se isso fosse algo extraordinário.

Porém, no acumulado do ano, o consumo das famílias acumula um aumento irrisório de 0,4% sobre o mesmo período de 2016, o qual foi um período terrível, um fundo de poço abissal.

Comemora-se, assim, algo menos pior que o desastre total. Comemorar um resultado desses é como comemorar Nagasaki depois de Hiroshima, pois a primeira matou menos que a última.

No acumulado do ano, os investimentos, a formação bruta do capital fixo, continua fortemente negativa, mesmo com os esforços desesperados dos golpistas para vender a estrangeiros tudo o que for possível: pré-sal, Petrobras, Eletrobrás, jazidas minerais, terras.

Tudo a preços de liquidação da soberania. Ressalte-se que, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, a formação bruta de capital fixo caiu 0,5%

Quando se analisa o crescimento por setor, vê-se que apenas a agropecuária apresentou crescimento expressivo, impulsionado, sem dúvida, pelas exportações de commodities agrícolas, que tiveram boa recuperação, e pelas ótimas safras deste ano.

A indústria e os serviços, apesar dos soluços recentes na indústria de transformação e no comércio, continuam em situação negativa, no acumulado do ano. Assim, não fosse a performance da agropecuária, teríamos um PIB negativo, em 2017.

Agora, imagine o leitor se estes “números extraordinários”, comemorados efusivamente pela mídia que apoia o golpe, tivessem sido obtidos na época de Dilma ou Lula.

Haveria, é claro, um oceano ácido de críticas e previsões sombrias sobre o governo “incompetente” e seus “pibinhos”. Essa mesma mídia que hoje aplaude um crescimento de 0,1% foi a mesma que chamou um crescimento de 2,7% de “pibinho”. Essa mesma mídia, que dizia que o “ciclo do crescimento baseado no consumo estava esgotado”, hoje comemora um crescimento do consumo das famílias de 1,2%%, no terceiro trimestre, e de ridículo 0,4%, no acumulado do ano.

Essa mídia hipócrita, que desdenhava dos 22 milhões de empregos formais gerados nos governos do PT e do maior processo de distribuição de renda da nossa história, que resgatou dezenas de milhões da miséria e tirou o Brasil do Mapa da Fome, hoje aplaude a pequena queda no desemprego baseada, em praticamente 100%, na geração de ocupações precárias e informais, no trabalho de conta próprias e de empregados sem carteira de trabalho e sem direitos.

Aplaudem, desse modo, a precariedade laboral e o fim dos direitos trabalhistas. Comemoram as demissões dos trabalhadores com carteira e sua transformação em motoristas de Uber e vendedores de quentinhas.

Observe-se que, ao longo dos governos do PT, a formalização no mercado de trabalho aumentou de apenas 45,7%, em 2003, para 57,7%, em 2014.

Contudo, os “especialistas” criticavam o aumento dos “custos do trabalho”.

Mas a verdade é que o Golpe e sua política ultraortodoxa não serão capazes de gerar um crescimento sustentável e socialmente inclusivo. Com essa política irracional e de austeridade suicida, o Brasil só terá voos de galinha, com aumento da pobreza e da desigualdade.

As privatizações, a venda predatória do patrimônio público e o setor externo não trarão o crescimento sustentado e inclusivo de volta.

Ao contrário do que se diz, o principal fator para o desenvolvimento brasileiro nos tempos dos governos do PT, foi o mercado interno de consumo de massa, não o ciclo internacional das commodities. As exportações como um todo representam cerca de 11% do PIB e a das commodities, em particular, apenas 6,8% do PIB. Em contraste, o consumo das famílias representa mais de 60% do PIB.

Portanto, o crescimento sustentado passa necessariamente pela distribuição da renda e pela geração de emprego de qualidade, com bons salários e todos os direitos assegurados.

Passa também pela ampliação do Estado de Bem Estar, pelos programas sociais e pela Previdência como instrumento de inclusão social. O crescimento sustentável num país continental como o Brasil, que tem a quinta população do mundo, passa, como diz Lula, pelo processo de colocar dinheiro nas mãos dos pobres.

Contudo, o governo golpista está fazendo o contrário de tudo isso. Está, na verdade, tirando dinheiro das mãos dos pobres e colocando-o nas mãos dos ricos.

É um Robin Wood ao contrário. Promove a volta da informalidade e da precariedade laboral, com a Deforma Trabalhista, e arruína os mecanismos de inclusão social e atenuação da pobreza, com sua infame Reforma da Previdência, que afeta, sim, os mais pobres.

Além disso, o governo golpista está destruindo todos os mecanismos estatais de estímulo à economia. A surreal Emenda Constitucional nº 95, que contrai os investimentos públicos por 20 anos, algo que não existe em nenhum país do mundo, impede o Estado de retomar seus imprescindíveis gastos e destrói os orçamentos em Ciência e Tecnologia, Saúde e Educação.

O fim da política de conteúdo local da Petrobras elimina os empregos na cadeia do petróleo. A ofensiva contra o BNDES, nosso grande banco de desenvolvimento, impede os investimentos pesados de longo prazo em infraestrutura.

Com essa política irracional e destrutiva, não há como se gerar um novo ciclo de desenvolvimento sustentável.

Não há nenhum país do mundo que tenha conseguido crescer, de forma sustentada, com austeridade permanente e desinvestindo em sua população, como pretende o governo do Golpe. E não há também nenhum país do mundo que tenha conseguido crescer com taxas de juros extorsivas como as nossas e câmbio tão sobrevalorizado como o do Brasil.

Dessa maneira, restará a nossa mídia golpista e aos seus “especialistas” hipócritas comemorar “nanopibs” e voos de galinha.

“Nanopibs”, com “nanoempregos”, “nanosalários” e “nanodireitos”, num “nanobrasil”.

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