Segunda, 01 Maio 2017 17:47

"Amar e mudar as coisas. Me interessa mais..." (Alucinação, Belchior). Destaque

OPINIÃO DO PROFESSOR MARCO AURÉLIO

O Brasil não perdeu Belchior

Domingo, Belchior se foi. O compositor de letras longas e fortes, que esteve em Osasco algumas vezes. Na campanha oposicionista municipal de 1996, Belchior esteve no Floresta e cantou a música Velha Roupa Colorida, que fala:

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era novo jovem
Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer

(Letra parcial de “Velha Roupa Colorida”).

 

Atual

Pego sempre o trem até São Paulo e fico cada vez mais chocado com o estado de abandono da entrada da estação de Presidente Altino. Domingo, dia 30 de abril, fui ver a nossa estação rodoviária, criada nos anos 80 pelo Prefeito Humberto Parro, e saí estarrecido com o descaso do governo municipal com as pessoas que precisam de transporte intermunicipal para o litoral e interior. A maioria dos ónibus que saiam de Osasco, saem hoje da Rodoviária Barra Funda, em São Paulo. A gente só consegue comprar as passagens por aqui e mais nada. Voltamos a era pré-Parro, nos anos 70.

Hoje, dia 01 de maio, dia do trabalhador, depois de uma Greve Geral que parou o Brasil, penso na violência.  Termo que foi muito citado nas redes sociais. Muitos questionaram a violência da Greve. As televisões mostraram o prejuízo ao trânsito e a dificuldade daqueles poucos que não entendem o desastre da Reforma da Previdência do Temer para o Brasil e queriam ir até o trabalho.

               Entrada da Estação da CPTM em Presidente Altino. Foto: Marco Aurélio

 

 

Violência é deixar uma estação de trem abandonada por anos

Faço aqui uma reflexão: Violência é deixar uma estação de trem – por anos - num dos bairros mais tradicionais de Osasco abandonada. Violência é manter uma Estação Rodoviária fechada, de um município com mais de 700 mil habitantes.  É mais do que Violência, é Desrespeito, é Incapacidade de entender a vida do povo, é achar que os serviços públicos servem apenas para fazer o mínimo, como se fossemos acessórios de governantes apenas nas eleições. Talvez um outro bom exemplo sejam as escolas públicas estaduais, que de referência no governo Franco Montoro, passaram a ser depósitos de crianças e jovens no governo Alckmin.

           Estação Rodoviária de Osasco hoje. Foto: Marco Aurélio

 

 

Belchior

Suas músicas transformaram o show Falso Brilhante de Elis Regina, num evento que balançou a Ditadura Militar. A música Mucuripe lançou seu amigo Fagner para o Brasil. Suas músicas revolucionaram a Música Popular Brasileira.

Nos dias de hoje, quando saímos às ruas para protestar contra um governo ilegítimo e golpista e lutar por aposentadorias dignas para as futuras gerações, rever Belchior é mais do que uma obrigação, é uma necessidade.

As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vou levar as minhas mágoas
Prás águas fundas do mar
Hoje a noite namorar
Sem ter medo da saudade
Sem vontade de casar

             (Letra parcial de “Mucuripe”).

 

Hoje, precisamos mostrar que o Brasil pode mudar para melhor sem massacrar seu povo trabalhador. Precisamos mostrar que o Brasil precisa de uma agenda que inclua todos sem discriminação, com a manutenção de todos os programas sociais, que tiveram sua origem na Constituição de 1988 e cresceram muito no governo Lula. Por fim, precisamos mostrar que a agenda Temer revela o sentimento de uma elite saudosa da Ditadura Militar.

 

Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem

(Letra parcial de “Como Nossos País”)

Marco Aurélio Rodrigues Freitas é jornalista e professor das redes municipal de estadual de São Paulo. Escreve todas as semanas no site Planeta Osasco.

 

 

Autor

Redação