Segunda, 04 Setembro 2017 14:45

Chegadas e Partidas - Por Marco Aurélio Destaque

Na semana passada que terminou em 26 de agosto, exibi para os meus alunos do sétimo e oitavos anos do Ensino Fundamental o filme SEMPRE AO SEU LADO, tendo Richard Gere como protagonista. No final da exibição, trabalhamos em dupla dois temas: Memória Histórica e Lealdade. 

Como ainda estou corrigindo os relatórios, ainda não tenho nenhuma conclusão final por enquanto. Mas já percebi que independente do perfil dessa geração, todos sabem muito bem o que é a memória na história, mesmo que a presença das inúmeras ferramentas de comunicação online e a internet nos levem a pensar o contrário. Mas, sem dúvida, elas ajudam a todos no resgate da memória e todas têm um fio condutor histórico.

No filme, o cão Hachi (nascido em 1923) passa nove anos esperando o professor voltar para casa de trem (de 1925 a 1934). Ele não volta, pois sofreu um infarto fulminante na Universidade onde lecionava em 1925. Em homenagem, os japoneses ergueram uma estátua do cão Hachi na Praça em frente à Estação, que ligava a cidade até a Universidade.

Pensando bem, todos nós muitas vezes ficamos em frente às estações da vida, esperando quem amamos chegar de volta.  Eu mesmo, imagino uma estação que traga de volta todos que amo e espero encontrar um dia: minha filha, Ana Luiza, por exemplo.  Como gostaria de encontrá-la em vida e cantar – em silêncio – a canção Encontros e Despedidas de Milton Nascimento que diz:

 

 

E assim chegar e partir.                                                                                                                         São só dois lados da mesma viagem.
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro é também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar.
É a vida desse meu lugar.
É a vida...”

O trem também muda caminhos de grandes amores, que se perdem ao longo de nossas existências, marcando chegadas e partidas para cada um de nós em plataformas e momentos que não sabemos quando e onde encontrar.

A vida, surpreendente e tão louca, leva e traz pessoas todos os dias.  Este ano, dois que cantavam e encantavam nossos dias foram embora, Belchior e Luiz Melodia.  Mas, para nossa felicidade, esse agosto traz de volta o artista e escritor que lutou contra a Ditadura Militar e sonha aos setenta e três com um Brasil mais igual, Chico Buarque de Holanda, filho historiador Sérgio Buarque de Holanda, vem com novo álbum. Das músicas do Chico, todos deverão amar TUA CANTIGA, que entre coisas nos diz:

 

 

“Quando te der saudades de mim

Quando tua garganta apertar

Basta dar um suspiro

Que eu vou ligeiro te consolar.”

 

Marco Aurélio Rodrigues Freitas é Jornalista, Biomédico, Historiador e Professor das redes municipal e estadual de São Paulo. Escreve suas crônicas todas as semanas no Planeta Osasco.

Autor

Redação