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Inspirada em relatos reais e na produção cultural de homens negros, a peça Farinha com Açúcar ou Sobre a Sustança de Meninos e Homens, que rendeu o 6º Prêmio Questão de Crítica ao dramaturgo, ator e diretor Jé Oliveira em 2017, retrata a experiência de ser negro na periferia de São Paulo e presta homenagem a um dos maiores grupos de rap do Brasil, o Racionais MC’s, que completou 30 anos de existência em 2017.

A temporada gratuita se inicia com três apresentações no Teatro Municipal Flávio Império a partir de 30 de junho, 20h. Os teatros Alfredo Mesquita, Cacilda Becker e Paulo Eiró também recebem três apresentações cada, até agosto, além da Fundação Casa da Vila Maria que recebe uma apresentação especial fechada com a participação de KL Jay, dos Racionais MC’s.

A montagem mergulha no universo da palavra falada e cantada por meio da construção poética de Jé Oliveira, em cena, acompanhado por cinco músicos, produzindo a trilha sonora simultaneamente – Cássio Martins (baixo), Fernando Alabê (percussão e bateria), Mauá Martins (pianos e MPC), Melvin Santhana / Gabriel Longhitano (guitarra, violão e voz) e DJ Tano - ZáfricaBrasil.

O espetáculo é a materialidade cênica e poética que Oliveira escolheu para formalizar sua investigação sobre a construção da masculinidade negra periférica. A montagem traz a força da musicalidade para o palco e se entende como uma “peça-show”, para ser ouvida, sentida e vista.

Baseada em entrevistas com 12 homens negros de diversas idades e ocupações, o roteiro encontrou uma unidade em suas trajetórias e a narrativa foi construída a partir dessas experiências. Os entrevistados foram Akins Kintê, poeta e diretor de cinema, Allan da Rosa, professor e artista, Aloysio Letra, artista, Fernando Alabê, músico, João Nascimento, percussionista, Kl Jay, DJ e rapper, Melvin Santhana, músico, Renato Ihu, produtor e pesquisador, Salloma Salomão,artista e intelectual, Seu Luís Livreiro, vendedor de livros, Will Oliveira, modelo, e Zinho Trindade, poeta.

A peça representa uma afirmação de luta. “Esse espetáculo é uma intenção sobre a vida, é uma afirmação da existência mesmo sob os escombros. Os encontros que tive com cada entrevistado foram de vida que pulsa e espero ter traduzido um pouco disso na encenação”, destaca Oliveira.

Para Kleber Geraldo Lelis Simões, o DJ KL Jay dos Racionais MC’s, participar ativamente da peça é uma honra. "Trabalhar com o Farinha com Açúcar é ser protagonista, ali no palco, ao vivo! É um privilégio".

Vista por mais de 15 mil pessoas desde a estreia em março de 2016, foi considerada destaque na mostra oficial do 26º Festival de Teatro de Curitiba e Jé Oliveira foi um dos contemplados no 6º Prêmio Questão de Crítica pela criação. Nesta edição do prêmio também foram contemplados os artistas Grace Passô, Márcio Abreu, Teuda Bara, Roberto Alvim e Juliana Galdino, Lia Rodrigues, entre outros.

O cantor e produtor musical Lino Krizz, parceiro de Mano Brown em Boogie Naipe, foi convidado especial em uma das apresentações recentes do espetáculo e destacou o impacto da peça.

“Deus me presenteou com dupla honra. Primeiro porque jamais imaginei que um dia eles me chamariam para cantar uma canção minha no meio da peça e isso foi mágico. Segundo e mais importante: a primeira vez que fui assistir a este espetáculo, foi tamanho o impacto, que logo de cara fiquei em choque com a objetividade dos atos de abrir estas feridas que nunca se fecham, além da identificação imediata com a impecável escrita e interpretação dos textos em sincronia com a banda e o DJ. Com a mais absoluta certeza e sem a menor sutileza, Farinha com Açúcar põe muita superprodução aos pés da favela”.

Após o encontro com tantas pessoas de diversas localidades, Jé Oliveira destaca a força para permanecer firme nessa caminhada.

"Essa obra busca ser vida estendida no encontro com o público: dor e celebração, força e lágrima. Cada olhar atento, silêncio, cada abraço, mensagem recebida após a peça é alento, conforto e norte para que continuemos vivos, fortes e cada vez mais pretos".

O Coletivo Negro prepara para esse ano o lançamento do livro com a dramaturgia da peça e um cd com audição na íntegra, contendo as músicas e textos da obra. Duas apresentações em campos de várzea na periferia paulistana também estão sendo fechadas e tem participação confirmada na 27ª edição do Festival de Teatro do Agreste - Feteag, que acontece em outubro em Caruaru - PE.

Farinha com Açúcar ou Sobre a Sustança de Meninos e Homens foi contemplado na XXV e na XXIX Edição da Lei de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, selecionado pela Funarte pelo edital Cena Aberta e convidado a abrir o 1º FELT – Festival Livre de Teatro, realizado pela Escola Livre de Teatro de Santo André. Em São Paulo foi apresentada nas unidades SESC (Santos, Pompéia, Campo Limpo, Araraquara, São José do Rio Preto, Itaquera, Campinas, São Carlos, entre outros), na Funarte, na Escola Livre de Teatro de Santo André e no Itaú Cultural. No Rio de Janeiro, no SESC Copacabana, em Minas Gerais, no SESC Palladium e no Paraná, no Festival de Teatro de Curitiba.

 

Sobre o Coletivo Negro

 

O Coletivo Negro é um grupo de pesquisa cênico-poético-racial que há nove anos se dedica à investigação da presença do negro no teatro brasileiro. Formado por Aysha Nascimento, Flávio Rodrigues, Jefferson Mathias, Jé Oliveira e Raphael Garcia. Recebeu duas indicações ao Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro com a obra Movimento Número 1: O Silêncio de Depois..., nas categorias Melhor Elenco e Grupo Revelação. Concorreu ao Prêmio Qualidade Brasil, por sua ocupação artística no TUSP (Teatro da USP). Em 2017 foi contemplado com o 6º Prêmio Questão de Crítica por Farinha com Açúcar ou Sobre a Sustança de Meninos e Homens. O grupo já se apresentou em alguns dos principais palcos da cidade de São Paulo e do país, como Auditório Ibirapuera—Oscar Niemeyer, Itaú Cultural, TUSP, Teatro Villa Velha (Bahia), CCBB-Minas Gerais, SESC (Pompeia, Santos, Campo Limpo, Araraquara, Palladium - MG, Copacabana - RJ), Cooperifa, Galpão do Folias.

 

Apresentações

Farinha com Açúcar ou Sobre a Sustança de Meninos e Homens

Duração: 80min

Classificação: 16 anos

Gênero: Teatro Épico

 

Teatro Municipal Flávio Império

Quando | 30 de junho, 1 e 2 de julho - De sexta à sábado, 20h e domingo, 19h.

R. Prof. Alves Pedroso, 600 - Cangaiba, São Paulo.  Tel. 2621-2719.

 

Teatro Municipal Alfredo Mesquita

Quando | De 14 a 16 de julho - De sexta à sábado, 20h e domingo, 19h.

Av. Santos Dumont, 1770 - Santana, São Paulo. Tel. 2221-3657.

 

Fundação Casa Vila Maria - apresentação especial com KL Jay (fechada)

Quando |21 de julho,  15h

 

Teatro Municipal Cacilda Becker

Quando | De 11 a 13 de agosto - De sexta à sábado, 20h e domingo, 19h.

R. Tito, 295 - Lapa, São Paulo. Tel. (11) 3864-4513

 

Teatro Municipal Paulo Eiró

Quando De 18 a 20 de agosto - De sexta à sábado, 20h e domingo, 19h.

Av. Adolfo Pinheiro, 765 - Santo Amaro, São Paulo. Tel. 5686-8440

 

Para as apresentações nos teatros municipais os ingressos serão distribuídos com uma hora de antecedência.

 

Saiba mais no site www.coletivonegro.com.br

Por Elcio Silva

Por MARCO AURÉLIO - Em 25 de abril de 1984, no grande comício da Sé por eleições diretas para Presidente, onde as ruas se enchiam de brasileiros para forçar a votação da Emenda Constitucional do Deputado Federal Dante de Oliveira, eu e meus amigos estávamos lá.

Fomos de trem e metrô, num domingo à tarde. Todos jovens e universitários. E não nos arrependemos de nada. O Brasil precisava dizer que estava vivo e que queria escolher o seu presidente. Queria votar, como agora queremos de novo escolher nosso presidente.  Faz 34 anos, mas a luta prossegue em busca de um país melhor e mais justo. Aliás tem que ser sempre assim.

No Palanque estavam as grandes lideranças políticas da época, comandadas por Osmar Santos. Estavam lá Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, José Serra, Mário Covas, Teotônio Vilela, Eduardo Suplicy, Leonel Brizola, Miguel Arraes, mais artistas, intelectuais, estudantes, sindicalistas e muitos trabalhadores.

As Diretas Já em Osasco

Osasco também viveu o clima das Diretas Já. Houve um comício enorme no Largo de Osasco com a presença de políticos, partidos da época, artistas, intelectuais e a bela Bruna Lombardi.

Em 1978, na última “eleição” da Ditadura Militar, que escolheu o General Figueiredo, o MDB lançou seu “candidato” o General Euler Bentes Monteiro. No Colégio Eleitoral deu Figueiredo para um mandato de 6 anos, com com 355 votos (61,1%) contra 226 dados a Monteiro (39,9%). Já era um indício de que a Ditadura estava enfraquecendo, pois na escolha de Geisel, em 1974, o general teve 400 (84%) votos contra 76 ( 16%) dados a Ulisses Guimaraes.

Em 1978, na escolha do General Figueiredo, houve um comício no Largo de Osasco, organizado pelo MDB.  Sai do Jardim das Flores com meus amigos e conosco foi o avô do Carlão. Ao chegarmos na casa de Carlos, ele pediu que esperassemos um pouco pelo avô. Minutos depois, surgiu seu avô, como se fosse a uma festa, de terno e gravata. Fomos todos de micro-ônibus. Mas, houve uma fala de FHC que me marcou, quando chamou os militantes do MDB - que tinham medo das eleições diretas -  de Arenosos, numa referência à ARENA, partido criado pela Ditadura.

Em 1984, também havia arenosos entre nós, gente que tinha medo das eleiçoes diretas. Nossas familias, talvez por medo de violência da Ditadura Militar, que ainda viva em nossa memória. Minha mãe dizia: “é melhor você não ir ao comicio da Sé filho, pode ser perigoso”.

2017, o novo ano das Diretas Já.

Em 2017, o movimento pelas Diretas cresce muito junto ao povo. Como em 1984, muita gente vem optando pelas Diretas Já. Sem medo de ser feliz novamente. Ontem mesmo, todas as midias divulgaram a declaração de FHC em defesa das eleições diretas.  Kenedy Alencar, em seu blog, afirma que Lula e Marina Silva, que já são a favor de novas eleições para Presidente, devem ficar ao lado de FHC. Carlos Zaratini, lider do PT na Câmara, disse no Estadão de sábado que a oposição vai procurar deputados descontentes para conversar sobre a antecipação das eleições presidenciais. Como faziam Ulisses Guimnaraes e Montoro.

A politica não pode se resumir ao plano jurídico, como muitos acreditam. Eleições diretas são o único e melhor caminho para qualquer democracia no mundo.  A sociedade brasileira já errou muito, quando apoiou os militares na aventura da Ditadura Militar, que atrasou o Brasil em 21 anos. Agora chega de fugir da democracia. Diretas Já para Presidente em 2017, para dar ao povo o poder de escolha nas urnas.

Marco Aurélio Rodrigues Freitas é biomédico, historiador, jornalista e professor das redes municipal de estadual de São Paulo. Escreve todas as semanas no site Planeta Osasco.

Opinião do professor MARCO AURÉLIO - No capítulo de segunda-feira (19/06/2017) “Os Dias Eram Assim”, Alice desmaia ao encontrar Renato, em pleno comício pelas Diretas Já, no Rio de Janeiro de 1984, e descobre que ele está vivo e que não morreu nos anos de chumbo da Ditadura Militar. Uma mentira construída na Ditadura e que se desmancha no ar da democracia do movimento por eleições diretas para Presidente.

Na vida, as coisas também são assim. Quantas vezes não desmaiamos ao ficar frente a frente com as mentiras que a vida nos mostra. Na Política ou nas relações pessoais. Tudo é surpreendente e – por que não dizer – avassalador.  Mas, sem dúvida, vale a pena, significa que “viver é melhor que sonhar”. Ou sonhar é igual a viver sempre.

A cena mostra um cenário oculto e – sem percebermos – nos faz entender como muitos discursos na vida são construídos e se mantém por muitos anos, até que a vida os desmanche por completo, assim do nada, e a gente seja levado a absorvê-lo sem tempo para preparar uma resposta racional.

O Brasil vive um momento assim. Parece que tudo o que acreditamos está se desmanchando. Mas isso é uma depuração como diz Mário Sergio Cortella. Depois desse tsunami, o Brasil vai melhorar, com certeza. Na vida da gente, a tendência é que tudo mude, menos pós-verdades e mais relações sinceras, sem dogmas e sem preconceitos.

Marco Aurélio Rodrigues Freitas é jornalista, biomédico, historiador e professor das redes municipal e estadual de São Paulo. Escreve todas as semanas no site Planeta Osasco.

Opinião do professor MARCO AURÉLIO - Há 20 anos, diversos prefeitos de São Paulo tentam, sem sucesso, desmontar a problemática região da cracolândia. E sua existência, como afirmou o médico, professor e escritor Drauzio Varela na Folha, não se explica por si, mas como consequência de um conjunto de problemas e exclusões sociais que existem na sociedade brasileira. No início de junho, a CBN divulgou que toda semana duas crianças são abandonadas na região.

Na educação brasileira, os problemas também são consequência de cenários de exclusão social. Todas as soluções da educação precisam ser resolvidas com ações integradas, capazes de ouvir todos os envolvidos, desde as famílias até os profissionais que nela trabalham.

O CAQi (Custo Aluno Qualidade Inicial) é um bom exemplo de um indicador com essa concepção, pensado e criado pela Companha Nacional pelo Direito à Educação e incorporado na Meta 20 do PNE (Plano Nacional de Educação), determina o investimento por aluno anualmente, para garantir um padrão crescente de qualidade. O PNE também tem a haver com a luta pelo aumento do gasto com educação para 10% do PIB e bate de frente com a horrorosa PEC 241/55 do combalido grupo político que sustenta o governo Temer, que criou um teto para congelar os gastos com educação e saúde por vinte anos. Esquecem que o Brasil mudou e que os governos têm a obrigação de olhar para todos.  

O CAQi, um indicador na Meta 20 do PNE.

O CAQi passa pelo tamanho das turmas, formação, salários e carreira compatíveis com a responsabilidade dos profissionais da educação, instalações, equipamentos e infraestrutura adequados, além de laboratórios, bibliotecas, quadras poliesportivas cobertas, materiais didáticos, entre outros. Tudo para cumprir o marco legal brasileiro.

Há por trás desses dois movimentos, uma maneira de pensar e ver o Brasil. Na questão da cracolândia, São Paulo vive hoje uma compreensão atrasada de governar, como se tudo se resumisse a ações policiais e repressivas. Como era na época da Ditadura Militar. Já, na questão da educação, a visão autoritária enfrenta forte resistência da sociedade, mesmo com a famigerada e reacionária “escola sem partido”, que felizmente não pegou.

O CAQi é o maior avanço desde a LDB de 1996, pois estabelece metas que fundamentalmente respeitam os professores, pilares da educação.

Enquanto isso em Osasco...

Enquanto isso em Osasco, nossa educação está voltando para o século XIX, em pleno 2017. Apesar das ações para melhorar a qualidade a partir de 2005, com o fim das salas especiais, com início de um grande programa de acessibilidade nas escolas municipais, a valorização, a formação para todos os profissionais e o inédito curso de Magistério Superior, totalmente gratuito para as profissionais das nossas creches, instrumentalizado através da FITO com recursos da Secretaria Municipal de Educação de Osasco.

No atual concurso público, a prefeitura separou a Educação Infantil do Ensino Fundamental. Para ingressar na Educação Infantil, o concurso pede apenas formação de Ensino Médio (o antigo magistério), “esquecendo” que o magistério não existe mais há anos e que o PNE estabelece 2020 como data final para que todas as professoras e professores tenham ensino superior completo.

Faço, portanto, duas perguntas para o leitor:  essa separação é um sonho de voltar aos anos 70 e impedir que os salários das professoras e professores da Educação Infantil tenham o mesmo valor do Ensino Fundamental? Há um arrocho salarial sendo gestado em segredo vindo por aí?

Marco Aurélio Rodrigues Freitas é jornalista, biomédico, historiador e  professor das redes municipal de estadual de São Paulo. Escreve todas as semanas no site Planeta Osasco.

Por Andreza Ellero - Somos apresentados aos filósofos da Grécia no primeiro ano do ensino médio e não nos damos conta da importância da existência deles até que paramos para refletir. Eles pregam a verdade e a essência de diversas formas e então podemos perceber o valor do ser.

Sócrates pregava o que era a essência do homem e com isso perguntas básicas como “o que é o bem?” “o que é a justiça?”, a mais importante “o que é a essência do homem?” e a reposta era sempre “a alma” o Eu inconsciente. Logo precisava de um autoconhecimento além do físico, sim, espiritual e intelectual para poder seguir o caminho do bem e a sabedoria.

Platão (seguidor de Sócrates) pregava a dialética, que consiste em contraposições em uma tese e com uma discussão que se tiram argumentos fundamentados e separam os erros e equívocos. Ele dizia também que só alcançamos o poder do ser absoluto saindo do mundo sensível e estando no mundo racional, mas só entramos nesse mundo através do conhecimento filosófico, cientifico ou conhecimento racional.

Aristóteles (discípulo de Platão) já dizia ao contrário dos seus anteriores, que o ser não deveria ser estudado sozinho e sim o universo. Conhecendo a existência poderia conhecer a essência.

Depois de parar e refletir sobre o que cada filósofo ensinou a seus discípulos observo que é necessário para a formação do ser, no sentido de autoconhecimento e ampliação do conhecimento próprio/social.

Nos dias de hoje somos influenciados pela tecnologia em todos os momentos e a existência foi deixada de lado. O senso crítico que os filósofos sofreram tanto para ensinar na Grécia Antiga está sendo deixado de lado, mas, não só isso, deve ser olhado mais a fundo, pois até a própria existência foi abandonada.

Quero dizer que isso vai muito além de uma opinião sobre a politica no momento ou sobre legalização do aborto, por exemplo, digo sobre os primórdios que aprendemos lá quando pequenos, os bons modos, a educação e o respeito para com o outro.

Vemos que o individualismo é o protagonista da existência no séc. XXI, comparando com o tempo dos filósofos que o ensinamento era em rodas de conversa e o contato era pessoalmente e hoje é tudo por meio de máquinas, claro que a revolução industrial e o avanço da tecnologia ajudaram muito para que possamos ter o conforto, mas o problema é que se foi perdido aquilo que realmente era necessário.

As discussões em uma aula sobre o tema me fizeram refletir essencialmente na diferença de ser e ter, pois primeiro é necessário ser e por consequência ter e não ao contrário. A essência e o conhecimento é o que importa no mundo “oco” que estamos vivendo.

Por Andreza Ellero

Via Coletivo Pneu

As eleições no Reino Unido marcaram uma guinada à esquerda com a maior participação dos jovens, arrependidos por permitirem o Brexit em suas próprias abstenções. O sentimento parece provado em números eleitorais;

Jovens até 35 anos participaram 12% a mais em relação à última eleição, com ampla maioria apoiadora de Jeremy Corbin, do Partido Trabalhista. Assim como Lula no Brasil em 2002, Corbin adotou tom moderado e seduziu um amplo espectro da população.

Mesmo sem participação de bandas, seus comícios foram transformados em grandes shows, e os ‘grandes astros’ eram suas ideias e a forma como as destinou. Com direito a furor do público, participação em massa e o sentimento de que as abstenções do Brexit poderiam ser vingadas pela ida às urnas de agora. O arrependimento poderia finalmente ficar no passado.

Toda essa sensação entregou na prática -para Thereza May- uma vitória apertada e carregada de perdas, obrigando-a a pensar em um governo de minoria que sequer conta com as garantias de data. A vitória amarga trouxe a realidade de uma grande faixa da população que trocou a depressão pelas ideias.

Lá, como cá – O Partido Trabalhista conseguiu sair de um período de tormenta que colocava em dúvida sua própria linha existencial. Aqui, o rebaixamento da percepção de distinção ética entre partidos beneficiou diretamente o partido que há mais tempo ocupa os noticiários sobre corrupção.

No Brasil de 2018, uma situação parecida de UK17 pode ser desenhada, guardadas as proporções; Faixas da população, atormentadas por um futuro incerto e, em certa medida arrependidas por embarcarem numa história hoje risível (dos pedidos de Aécio), devem optar por ideias palatáveis dentro de espectros de interesses.

E isso depende exclusivamente da forma como serão apresentadas pelos candidatos, servindo inclusive aos campos completamente opostos um mesmo ponto de partida.

A diferença cabal está nos espectros desses interesses e dos sentimentos. Aos universitários, progressistas do PROUNI ou neoliberais do ensino privado?

Aos aposentados, progressistas dos reajustes programados ou neoliberais das reformas?

Aos trabalhadores do campo, progressistas da agricultura familiar ou neoliberais do agronegócio?

Às mulheres, progressistas da justeza ou neoliberais do mérito?

E assim vai.

 

GM

 

 

Eleições no Reino Unido, o dia em que os jovens mudaram a política

Via El Pais - Pablo Guimón e María Contreras

O líder trabalhista Jeremy Corbyn percorreu o país em 90 eventos de campanha que pareciam shows de rock para conseguir o voto dos mais jovens

Noite de quarta-feira, 7 de junho, véspera do dia da eleição do Reino Unido. Centenas de jovens se reúnem perto de uma igreja em Islington, palco clássico de shows de rock no norte de Londres. Empoleirados nas grades, montados em postes ou em qualquer coisa que os deixe um palmo acima do chão abarrotado de gente, exibem cartazes demonstrando amor por seu ídolo. Uma fileira de policiais com coletes refletivos tenta evitar que a massa invada a rua. As camisetas são mostras de genialidade. Andy, estudante de design de 21 anos, veste uma camiseta preta com o que à primeira vista parece o logo dos pioneiros do rap Run DMC. Só que não é o que parece. As seis letras do nome da banda de Nova York foram substituídas por outras seis: C-o-r-b-y-n.

“Eu não costumava votar. Concluí que qualquer partido que ganhasse, o sistema não ia mudar. A política me interessa, não os partidos. Mas Corbyn é diferente. Você não precisa mais olhar em volta”, explica Andy. Logo a multidão começa a pular e cantar em coro o nome de seu ídolo, com uma melodia roqueira dos White Stripes, enquanto o ônibus que transporta Jeremy Corbyn se dirige ao recinto no qual protagonizará sua última apresentação na turnê.

A realidade estava, efetivamente, ali para quem quisesse vê-la. Jeremy Corbyn rodou o país em 90 eventos de campanha que pareciam concertos de rock. Que a corbynmania é um fenômeno jovem era algo sabido. O que não estava claro era se o segmento demográfico mais abstencionista desta vez iria votar.

Acontece que os jovens, sim, votaram. Não há dados oficiais, mas uma pesquisa de boca de urna indica uma alta de 12 pontos na participação de pessoas com menos de 35 anos em relação às eleições anteriores. Um número recorde de 600.000 pessoas se registraram no último dia possível para votar nestas eleições. Dois de cada três tinham entre 18 e 34 anos.

A participação em 8 de junho atingiu 70%: a mais alta desde 1997. E esse foi o último ano em que os trabalhistas ganharam cadeiras em eleições gerais em relação às anteriores.

Votaram, então, e votaram em Corbyn. Dois terços das pessoas com idade entre 18 e 24 anos demonstraram numa pesquisa preferência pelos trabalhistas, assim como mais da metade das entre 25 e 34. Entre as acima de 55, a vitória dos conservadores foi acachapante.

“O voto jovem é o grande assunto destas eleições”, opina Simon Hix, professor de ciência política da London School of Economics. “A distribuição desigual da riqueza nos últimos tempos beneficiou os mais velhos, e isso gerou um conflito de gerações essencial para entender a política. Acho que os jovens se mobilizaram mais do que em outras ocasiões por três motivos. Um, o magnetismo que mostrou ter o próprio Corbyn como ícone. Dois, o mal-estar com a situação da educação, da saúde e dos serviços públicos, após anos de cortes. E três, o descontentamento com o Brexit, que foi devastador para a geração mais jovem e que foi uma decisão tomada pelos babyboomers e pelos avós.”

James, de 28 anos, funcionário do King's College de Londres e eleitor trabalhista, concorda com a afirmação de que os jovens tenham participado em massa como reação por sua baixa mobilização na consulta sobre o Brexit. “Acho que muitos dos jovens que não votaram no referendo e que sentiram as consequências de não ter feito isso tentaram se corrigir, comparecendo dessa vez às urnas”, afirma.

As eleições de quarta-feira passaram para a história como aquelas em que a geração mais jovem fez diferença na política britânica. E o improvável catalisador desse fenômeno foi um deputado de 68 anos do qual sempre se disse que estava ancorado numa época passada. Mas sua condição de outsider, forjada em três décadas de dissidência, torna Corbyn um elemento puro, livre dos vícios do establishment.

Sam, estudante de teoria política de 23 anos, é um desses jovens que votaram no Partido Trabalhista. Em sua opinião, o chamado “efeito Corbyn” não se restringe à pessoa, e sim a sua proposta. “Provocou divisões no partido porque o devolveu a suas origens, mais à esquerda”, diz. “Mas acertou ao atenuar suas opiniões pessoais para incluir em seu programa uma representação maior do pensamento trabalhista. Os jovens alargaram sua visão para votar por um programa e por ideias. Não votaram somente numa pessoa.”

VIA EL PAIS - IMG ITM

 

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