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Nota - Com grande alarde na imprensa regional, Lins anunciou que Osasco teria sistema biométrico para evitar fantasmas. No entanto, o sistema não foi implementado às pressas.

Rogério Lins se esqueceu de avisar que o Ministério Público já tinha manifestado a necessidade de uso de biometria para registro de ponto na Prefeitura e, inclusive, na Câmara Municipal.

Licitações tinham sido encaminhadas há tempos para a implementação, e estudos apontavam que a medida poderia evitar justamente casos como os denunciados em Osasco. Trata-se, portanto, de um cumprimento de exigência do MP, e não uma brilhante sacada do mandatário... 

Vale também lembrar que tudo o que diz respeito à gestão pública sai a partir do orçamento público da cidade. Trata-se de mais uma despesa para a cidade de Osasco no ano fiscal de 2017 e se tornou necessária a partir dos erros e crimes apontados pelo próprio MP.

 

 

CMIO – Coletivo de Mídia Independente de Osasco

Por Marco Aurélio Rodrigues Freitas
Opinião -
Ontem à noite, depois da reunião de pauta, quando o Coletivo Mídia Independente de Osasco produziu uma das melhores análises do atual período político de nossa cidade, tanto que o site registrou mais de 18 mil leitores às 15:00 horas. Exatamente oito horas após o conteúdo ser colocado no ar.  E, agora à noite, já superou a marca das 30 mil pessoas discutindo a análise. Sai pensando na vida e nas surpresas que ela sempre nos reserva. Tanto no pessoal como no profissional, como fala Faustão no seu programa de domingo.

Como estou de férias da escola, hoje peguei meu carro e fui dar uma volta pelo Rochdale, ali na região da rua Cuiabá. Onde, ontem, estiveram cerca de 150 trabalhadores com a cúpula do governo, numa operação midiática de limpeza do bairro para “em tese” evitar enchentes.

Todos sabemos que o bairro tem um problema de relevo. Ele fica num nível mais baixo que o rio Tietê. Por isso, toda vez que chove muito, os córregos não conseguem dar vazão à agua da chuva para o Tietê, causando as eternas enchentes que viram manchetes na tevê.

                                   Rua Cuiabá                                                                      Viela 28

 

Mas fui lá na região da rua Cuiabá. Tudo calmo, apenas alguns moradores nas calçadas e lixo amontoado nas ruas. Nenhum trabalhador ou membro do governo na “operação limpeza”.

Como desci do carro, olhei ao fundo e vi outra rua, bem calçada e com uma espécie de calçadão, com aparelhos de uma academia ao ar livre e um prédio em obras. Era a Viela 28. Perguntei para um morador:

--- O que é esse prédio?

E ele me respondeu:

-- É a UBS do Rochdale que o Lapas estava construindo, e não deu para terminar. Espero que o outro termine.

Olhei o córrego, o Braço Morto do Tietê. Precisando de uma poda de mato e uma boa limpeza também. Pois fotografei até uma geladeira lá dentro. O córrego divide o Rochdale com o Jardim Aliança. Pensei, como estamos em período de chuva, é mais do que necessário limpá-lo rapidamente.

Mas aí pensei, como qualquer morador do bairro:

 --- Mas ontem eles vieram aqui, por que não começaram a limpeza dessa parte do bairro?   ------- Porque as imagens teriam que mostrar as obras do prefeito que foi embora dia 31 de dezembro. Respondi a mim mesmo.

Leitores, a vida não está nada fácil no Brasil. Mas eu acho que nossos políticos precisam ser mais sinceros, pensar mais na cidade e no seu povo. Deixar os desejos egocêntricos para sua convivência particular. Principalmente aqueles que estão cheios de explicações para dar aos seus eleitores.

Na volta do Rochdale, encontrei uma moça cega vendendo doces numa esquina da Primitiva Vianco. Lembrei da florista cega do filme LUZES DA CIDADE (1931) de Charles Chaplin e comprei três dos seus doces. Estavam deliciosos. Caminhando em direção ao carro, lembrei de novo do Rochdale e de outro filme de Chaplin, O Grande Ditador (1940) que mostrava a manipulação das pessoas através do medo.

 

Marco Aurélio Rodrigues Freitas é jornalista e professor das redes municipal e estadual de São Paulo. Escreve todas as semanas no site Planeta Osasco.   

 

Exclusivo – Num momento de reconhecida crise econômica, a cidade de Osasco está percebendo que o governo Lins não revela um programa claro de controle dos gastos públicos.

Ao contrário, dá a entender que em sua montagem fez grandes negociatas de cargos.

Entenda o caso: Na bacia das almas, o Governo Lins negociou cargos com partidos que o apoiaram e que agora devem preencher centenas de vagas comissionadas nos próximos dias. Trata-se, portanto, da evidência mais forte de que o governo da dita renovação é contaminado com o que existe de pior na velha política de Osasco.

Uma fonte confirmou ao Coletivo de Mídia Independente (CMIO) que, entre os partidos que poderão indicar o maior número de pessoas para preenchimento de cargos, estão o PT e PSDB.

Seria uma dobradinha histórica (e histérica, diga-se de passagem) que os dois partidos arquirrivais terão presença maciça no governo Lins. De um lado, um político condenado e que não pode ser citado –sob pena de processo a este veículo- e, de outro, os articuladores centrais da direita local.

Além de PT e PSDB, vários agrupamentos políticos terão cargos indicados por lideranças.

Durante os anúncios dos novos contratados, espera-se a confirmação de nomes indicados por partidos aliançados dentro daquilo que é uma política ultrapassada e ineficiente. É ver para crer.

Não há prova mais forte de que o governo Lins atropelou seu próprio diálogo com a população, exercendo o contrário daquilo que pregou. Não tem renovação, o espaço desenhado é de retrocesso. E isso é verdade.

Entenda como funciona a negociata;

Durante a campanha eleitoral, o futuro vencedor compõe alianças com apoiadores de partidos distintos, delegando a eles –em caso de vitória- a indicação de nomes para receber salários volumosos dentro do executivo municipal.

Além dos volumosos salários, cabe aos nomeados de ‘confiança’ gerenciar grande quantidade de recursos públicos. Está aí, exatamente aí, o principal problema da velha política.

Agora, imagine um governo que fez uma composição com vários medalhões da velha política local, inclua partidos que anseiam por cargos bem remunerados. Soma-se a isso uma cidade em crise.

Afinal, quando o prefeito permite que outros partidos indiquem nomes que não necessariamente possuem capacidade técnica ou política para o cargo, acaba gerando danos irreparáveis para a administração e para a cidade que quer governar.

 

Editorial CMIO – Coletivo de Mídia Independente de Osasco Via PlanetaOsasco.com

CMIO - Um primeiro dia para esquecer - Quando amanheceu em Osasco, as pessoas acordaram se perguntando como seria o primeiro dia do novo governo. De manhã, o prefeito Rogério Lins foi até a Maternidade Amador Aguiar, assim como o prefeito de São Paulo, João Dória, foi representar um varredor de rua por lá.

Lins, com o claro objetivo de estancar o derretimento da sua imagem desde o seu mandado de prisão, junto com vários vereadores no início de dezembro, tenta criar uma nova imagem a partir de agora. Mas parece que a ideia não deu muito certo.

De manhã, RL foi até a Maternidade Amador Aguiar e falou em problemas encontrados. Depois falou de falta de funcionários que deveriam ser contratados.

Segundo apuramos, há informações do MP exigindo que as contrações sejam por concurso público, em respeito à Constituição Brasileira. Citou que tentaria continuar a seleção interrompida no governo anterior. Sendo assim, Lins não resolveu o problema, apenas alardeou tê-lo visto (ele era vereador e poderia ter fiscalizado antes). Ainda assim, a publicidade acompanhou e replicou toda a estória.

Em função do gesto midiático, surgiram algumas perguntas: por que ele não fez a denúncia quando era vereador? Na prática, quais as ações apresentadas pelo prefeito, diante de tudo?

Os problemas são visíveis, mas utilizá-los como plataforma de propaganda é um sintoma de que o governo Lins tentará combater sua má imagem através de atos ‘bombásticos-de-pouco-efeito’.

Durante a tarde de ontem, depois das 16:00 horas, todos queriam saber do pagamento da fiança de 300 mil reais, para garantir a liminar que permitiu liberdade ao prefeito.

Os veículos de comunicação informaram que a fiança foi paga através de um empréstimo de 60 meses, tendo sua casa como garantia. Lins declarou possuir apenas 253 mil reais para a justiça eleitoral. Daí, surgiram muitas perguntas através das redes sociais: em que banco foi feito o empréstimo? Qual o valor da prestação? Houve avalista? Se houve avalista, quem é? O governo poderia mostrar o documento do empréstimo, para garantir uma transparência política ao povo de Osasco?

Lins parece flertar com um governo que tentará, via publicidade, mostrar para a população propagandas acintosas de sua boa intenção. Vale lembrar para os cidadãos da cidade que propaganda custa caro e estamos em crise.  

Entenda o caso:

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2017/01/02/prefeito-de-osasco-paga-fianca-de-r-300-mil-e-se-livra-de-voltar-para-a-prisao.htm

 

CMIO - Coletivo de Mídia Independente de Osasco Via PlanetaOsasco.com

Quem chegou na rua da Câmara Municipal de Osasco, por volta das oito horas da manhã, viu uma cena difícil de deixar de relatar.  Pouco mais de 200 pessoas na frente do parlamento de Osasco.

Na frente da Câmara soldados, carros da Policia Militar e da Guarda Municipal dividiam o espaço com os poucos osasquenses que resolveram acordar cedo para ver a posse dos novos vereadores e do prefeito. Seis deles, mais o prefeito, cumpriam prisão temporária até 48 horas atrás no Presidio de Tremembé.  Imagens do Planeta mostram um rígido esquema de segurança em frente à Câmara. 

Internamente, um outro mundo. Como só havia convidados, todas as reações foram favoráveis, teve até gritinhos do nome do prefeito, iguais aqueles de shows musicais. Internamente, tudo muito organizado, com muita polícia na porta, para controlar entrada e saída das pessoas, e lá dentro quase todos sentadinhos.

Mas, enfim, todos tomaram posse. Os que deixaram o presidio de Tremembé e terão ainda que pagar a fiança de 300 mil cada e os que não estavam em prisão temporária.  Sites como G1, UOL e Terra Brasil informam, em suas páginas deste domingo, que se o valor da fiança não for depositado até dia 02 de janeiro, todos serão presos novamente. No caso de Rogério Lins, a vice Ana Maria Rossi assumirá, caso a fiança não seja paga por ele, até a data prevista.

Enquanto isso, a população da cidade – estarrecida – usa as redes sociais para desabafar. Leitores, os problemas da cidade de Osasco só começaram, Feliz 2017 para todos nós.

 

Imagens: Marco Aurélio

Marco Aurélio Rodrigues Freitas é jornalista e professor das redes municipal de estadual de São Paulo. Escreve todas as semanas no site Planeta Osasco.   

A crise que vive Osasco, com a prisão de 14 vereadores não tem precedentes em nossa história. Nem na História do Brasil. Por mais que alguns fujam do debate sobre o processo político que não termina agora e começou há muito tempo, é necessário ler dois cenários: primeiro, o cenário político, que agregou forças para a disputa eleitoral, culminando num resultado de crise permanente e prevista por todos que acompanham a política.

Segundo, o cenário jurídico eleitoral, que procura respostas apenas para a prisão e libertação, escamoteando a disputa entre poderes no campo jurídico brasileiro, o que prejudica em muito o processo de combate à corrupção vivido no país.


Claro que muitos focam no personagem político RL, como se a sua posse representasse o equilíbrio das placas tectônicas da política local e a volta da calma climática no panorama do governo municipal. Pura ilusão de quem pensa assim. A partida só começou.

A sua liberdade, por liminar e fiança, e permanência dos demais vereadores em Tremembé, faz que a população se pergunte: por que só ele? Como alguém pode ser solto sem pagar fiança, deixando para segunda-feira? E, por fim, quem vai pagar pela libertação do acusado?


Poderíamos estabelecer comparações com o governo Temer. O grupo Temer, comandado pelo velho Centrão da época da Constituinte de 1988, pensava que o afastamento da presidente Dilma e do PT determinaria automaticamente o fim da crise econômica, política, ética e democrática. Isso não aconteceu e nem acontecerá. Teremos os mesmos e novos problemas em 2017.


Os últimos 28 anos no Brasil trouxeram conquistas definitivas para a população excluída do país. Ulisses Guimaraes chamou a nossa constituição de Constituição Cidadã, capaz de construir um processo de transformação permanente de combate aos desequilíbrios históricos do país, que entre outras coisas, foi o último país no mundo a acabar com a escravidão, não por convicção dos velhos fazendeiros, mas uma necessidade econômica apenas.

O preconceito e a discriminação continuaram.

Há uma parte de nossa elite que sonha voltar ao poder por qualquer via e não esqueceu de nada, pois não aprendeu nada nesses últimos trinta anos.

Há uma parte pequena da imprensa que também pensa e age da mesma forma. Não percebem que são como os velhos capitães do mato, usados para perseguir e capturar negros, sem conquistar nenhuma credibilidade ou respeito junto aos seus patrões e descartados sem dó, quando não interessavam mais.


2017 promete. Promete ser muito pior que 2016 para a velha elite econômica e política brasileira. Mas, sem dúvida, será muito melhor para o povo que quer um Brasil mais igual, mais democrático e com menos exclusão. Feliz 2017, para todos nós, povo brasileiro.


Marco Aurélio Rodrigues Freitas é jornalista e professor das redes municipal de estadual de São Paulo. Escreve todas as semanas no site Planeta Osasco.

 

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