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Opinião do professor MARCO AURÉLIO - No capítulo de segunda-feira (19/06/2017) “Os Dias Eram Assim”, Alice desmaia ao encontrar Renato, em pleno comício pelas Diretas Já, no Rio de Janeiro de 1984, e descobre que ele está vivo e que não morreu nos anos de chumbo da Ditadura Militar. Uma mentira construída na Ditadura e que se desmancha no ar da democracia do movimento por eleições diretas para Presidente.

Na vida, as coisas também são assim. Quantas vezes não desmaiamos ao ficar frente a frente com as mentiras que a vida nos mostra. Na Política ou nas relações pessoais. Tudo é surpreendente e – por que não dizer – avassalador.  Mas, sem dúvida, vale a pena, significa que “viver é melhor que sonhar”. Ou sonhar é igual a viver sempre.

A cena mostra um cenário oculto e – sem percebermos – nos faz entender como muitos discursos na vida são construídos e se mantém por muitos anos, até que a vida os desmanche por completo, assim do nada, e a gente seja levado a absorvê-lo sem tempo para preparar uma resposta racional.

O Brasil vive um momento assim. Parece que tudo o que acreditamos está se desmanchando. Mas isso é uma depuração como diz Mário Sergio Cortella. Depois desse tsunami, o Brasil vai melhorar, com certeza. Na vida da gente, a tendência é que tudo mude, menos pós-verdades e mais relações sinceras, sem dogmas e sem preconceitos.

Marco Aurélio Rodrigues Freitas é jornalista, biomédico, historiador e professor das redes municipal e estadual de São Paulo. Escreve todas as semanas no site Planeta Osasco.

Opinião do professor MARCO AURÉLIO - Há 20 anos, diversos prefeitos de São Paulo tentam, sem sucesso, desmontar a problemática região da cracolândia. E sua existência, como afirmou o médico, professor e escritor Drauzio Varela na Folha, não se explica por si, mas como consequência de um conjunto de problemas e exclusões sociais que existem na sociedade brasileira. No início de junho, a CBN divulgou que toda semana duas crianças são abandonadas na região.

Na educação brasileira, os problemas também são consequência de cenários de exclusão social. Todas as soluções da educação precisam ser resolvidas com ações integradas, capazes de ouvir todos os envolvidos, desde as famílias até os profissionais que nela trabalham.

O CAQi (Custo Aluno Qualidade Inicial) é um bom exemplo de um indicador com essa concepção, pensado e criado pela Companha Nacional pelo Direito à Educação e incorporado na Meta 20 do PNE (Plano Nacional de Educação), determina o investimento por aluno anualmente, para garantir um padrão crescente de qualidade. O PNE também tem a haver com a luta pelo aumento do gasto com educação para 10% do PIB e bate de frente com a horrorosa PEC 241/55 do combalido grupo político que sustenta o governo Temer, que criou um teto para congelar os gastos com educação e saúde por vinte anos. Esquecem que o Brasil mudou e que os governos têm a obrigação de olhar para todos.  

O CAQi, um indicador na Meta 20 do PNE.

O CAQi passa pelo tamanho das turmas, formação, salários e carreira compatíveis com a responsabilidade dos profissionais da educação, instalações, equipamentos e infraestrutura adequados, além de laboratórios, bibliotecas, quadras poliesportivas cobertas, materiais didáticos, entre outros. Tudo para cumprir o marco legal brasileiro.

Há por trás desses dois movimentos, uma maneira de pensar e ver o Brasil. Na questão da cracolândia, São Paulo vive hoje uma compreensão atrasada de governar, como se tudo se resumisse a ações policiais e repressivas. Como era na época da Ditadura Militar. Já, na questão da educação, a visão autoritária enfrenta forte resistência da sociedade, mesmo com a famigerada e reacionária “escola sem partido”, que felizmente não pegou.

O CAQi é o maior avanço desde a LDB de 1996, pois estabelece metas que fundamentalmente respeitam os professores, pilares da educação.

Enquanto isso em Osasco...

Enquanto isso em Osasco, nossa educação está voltando para o século XIX, em pleno 2017. Apesar das ações para melhorar a qualidade a partir de 2005, com o fim das salas especiais, com início de um grande programa de acessibilidade nas escolas municipais, a valorização, a formação para todos os profissionais e o inédito curso de Magistério Superior, totalmente gratuito para as profissionais das nossas creches, instrumentalizado através da FITO com recursos da Secretaria Municipal de Educação de Osasco.

No atual concurso público, a prefeitura separou a Educação Infantil do Ensino Fundamental. Para ingressar na Educação Infantil, o concurso pede apenas formação de Ensino Médio (o antigo magistério), “esquecendo” que o magistério não existe mais há anos e que o PNE estabelece 2020 como data final para que todas as professoras e professores tenham ensino superior completo.

Faço, portanto, duas perguntas para o leitor:  essa separação é um sonho de voltar aos anos 70 e impedir que os salários das professoras e professores da Educação Infantil tenham o mesmo valor do Ensino Fundamental? Há um arrocho salarial sendo gestado em segredo vindo por aí?

Marco Aurélio Rodrigues Freitas é jornalista, biomédico, historiador e  professor das redes municipal de estadual de São Paulo. Escreve todas as semanas no site Planeta Osasco.

Por Andreza Ellero - Somos apresentados aos filósofos da Grécia no primeiro ano do ensino médio e não nos damos conta da importância da existência deles até que paramos para refletir. Eles pregam a verdade e a essência de diversas formas e então podemos perceber o valor do ser.

Sócrates pregava o que era a essência do homem e com isso perguntas básicas como “o que é o bem?” “o que é a justiça?”, a mais importante “o que é a essência do homem?” e a reposta era sempre “a alma” o Eu inconsciente. Logo precisava de um autoconhecimento além do físico, sim, espiritual e intelectual para poder seguir o caminho do bem e a sabedoria.

Platão (seguidor de Sócrates) pregava a dialética, que consiste em contraposições em uma tese e com uma discussão que se tiram argumentos fundamentados e separam os erros e equívocos. Ele dizia também que só alcançamos o poder do ser absoluto saindo do mundo sensível e estando no mundo racional, mas só entramos nesse mundo através do conhecimento filosófico, cientifico ou conhecimento racional.

Aristóteles (discípulo de Platão) já dizia ao contrário dos seus anteriores, que o ser não deveria ser estudado sozinho e sim o universo. Conhecendo a existência poderia conhecer a essência.

Depois de parar e refletir sobre o que cada filósofo ensinou a seus discípulos observo que é necessário para a formação do ser, no sentido de autoconhecimento e ampliação do conhecimento próprio/social.

Nos dias de hoje somos influenciados pela tecnologia em todos os momentos e a existência foi deixada de lado. O senso crítico que os filósofos sofreram tanto para ensinar na Grécia Antiga está sendo deixado de lado, mas, não só isso, deve ser olhado mais a fundo, pois até a própria existência foi abandonada.

Quero dizer que isso vai muito além de uma opinião sobre a politica no momento ou sobre legalização do aborto, por exemplo, digo sobre os primórdios que aprendemos lá quando pequenos, os bons modos, a educação e o respeito para com o outro.

Vemos que o individualismo é o protagonista da existência no séc. XXI, comparando com o tempo dos filósofos que o ensinamento era em rodas de conversa e o contato era pessoalmente e hoje é tudo por meio de máquinas, claro que a revolução industrial e o avanço da tecnologia ajudaram muito para que possamos ter o conforto, mas o problema é que se foi perdido aquilo que realmente era necessário.

As discussões em uma aula sobre o tema me fizeram refletir essencialmente na diferença de ser e ter, pois primeiro é necessário ser e por consequência ter e não ao contrário. A essência e o conhecimento é o que importa no mundo “oco” que estamos vivendo.

Por Andreza Ellero

Via Coletivo Pneu

As eleições no Reino Unido marcaram uma guinada à esquerda com a maior participação dos jovens, arrependidos por permitirem o Brexit em suas próprias abstenções. O sentimento parece provado em números eleitorais;

Jovens até 35 anos participaram 12% a mais em relação à última eleição, com ampla maioria apoiadora de Jeremy Corbin, do Partido Trabalhista. Assim como Lula no Brasil em 2002, Corbin adotou tom moderado e seduziu um amplo espectro da população.

Mesmo sem participação de bandas, seus comícios foram transformados em grandes shows, e os ‘grandes astros’ eram suas ideias e a forma como as destinou. Com direito a furor do público, participação em massa e o sentimento de que as abstenções do Brexit poderiam ser vingadas pela ida às urnas de agora. O arrependimento poderia finalmente ficar no passado.

Toda essa sensação entregou na prática -para Thereza May- uma vitória apertada e carregada de perdas, obrigando-a a pensar em um governo de minoria que sequer conta com as garantias de data. A vitória amarga trouxe a realidade de uma grande faixa da população que trocou a depressão pelas ideias.

Lá, como cá – O Partido Trabalhista conseguiu sair de um período de tormenta que colocava em dúvida sua própria linha existencial. Aqui, o rebaixamento da percepção de distinção ética entre partidos beneficiou diretamente o partido que há mais tempo ocupa os noticiários sobre corrupção.

No Brasil de 2018, uma situação parecida de UK17 pode ser desenhada, guardadas as proporções; Faixas da população, atormentadas por um futuro incerto e, em certa medida arrependidas por embarcarem numa história hoje risível (dos pedidos de Aécio), devem optar por ideias palatáveis dentro de espectros de interesses.

E isso depende exclusivamente da forma como serão apresentadas pelos candidatos, servindo inclusive aos campos completamente opostos um mesmo ponto de partida.

A diferença cabal está nos espectros desses interesses e dos sentimentos. Aos universitários, progressistas do PROUNI ou neoliberais do ensino privado?

Aos aposentados, progressistas dos reajustes programados ou neoliberais das reformas?

Aos trabalhadores do campo, progressistas da agricultura familiar ou neoliberais do agronegócio?

Às mulheres, progressistas da justeza ou neoliberais do mérito?

E assim vai.

 

GM

 

 

Eleições no Reino Unido, o dia em que os jovens mudaram a política

Via El Pais - Pablo Guimón e María Contreras

O líder trabalhista Jeremy Corbyn percorreu o país em 90 eventos de campanha que pareciam shows de rock para conseguir o voto dos mais jovens

Noite de quarta-feira, 7 de junho, véspera do dia da eleição do Reino Unido. Centenas de jovens se reúnem perto de uma igreja em Islington, palco clássico de shows de rock no norte de Londres. Empoleirados nas grades, montados em postes ou em qualquer coisa que os deixe um palmo acima do chão abarrotado de gente, exibem cartazes demonstrando amor por seu ídolo. Uma fileira de policiais com coletes refletivos tenta evitar que a massa invada a rua. As camisetas são mostras de genialidade. Andy, estudante de design de 21 anos, veste uma camiseta preta com o que à primeira vista parece o logo dos pioneiros do rap Run DMC. Só que não é o que parece. As seis letras do nome da banda de Nova York foram substituídas por outras seis: C-o-r-b-y-n.

“Eu não costumava votar. Concluí que qualquer partido que ganhasse, o sistema não ia mudar. A política me interessa, não os partidos. Mas Corbyn é diferente. Você não precisa mais olhar em volta”, explica Andy. Logo a multidão começa a pular e cantar em coro o nome de seu ídolo, com uma melodia roqueira dos White Stripes, enquanto o ônibus que transporta Jeremy Corbyn se dirige ao recinto no qual protagonizará sua última apresentação na turnê.

A realidade estava, efetivamente, ali para quem quisesse vê-la. Jeremy Corbyn rodou o país em 90 eventos de campanha que pareciam concertos de rock. Que a corbynmania é um fenômeno jovem era algo sabido. O que não estava claro era se o segmento demográfico mais abstencionista desta vez iria votar.

Acontece que os jovens, sim, votaram. Não há dados oficiais, mas uma pesquisa de boca de urna indica uma alta de 12 pontos na participação de pessoas com menos de 35 anos em relação às eleições anteriores. Um número recorde de 600.000 pessoas se registraram no último dia possível para votar nestas eleições. Dois de cada três tinham entre 18 e 34 anos.

A participação em 8 de junho atingiu 70%: a mais alta desde 1997. E esse foi o último ano em que os trabalhistas ganharam cadeiras em eleições gerais em relação às anteriores.

Votaram, então, e votaram em Corbyn. Dois terços das pessoas com idade entre 18 e 24 anos demonstraram numa pesquisa preferência pelos trabalhistas, assim como mais da metade das entre 25 e 34. Entre as acima de 55, a vitória dos conservadores foi acachapante.

“O voto jovem é o grande assunto destas eleições”, opina Simon Hix, professor de ciência política da London School of Economics. “A distribuição desigual da riqueza nos últimos tempos beneficiou os mais velhos, e isso gerou um conflito de gerações essencial para entender a política. Acho que os jovens se mobilizaram mais do que em outras ocasiões por três motivos. Um, o magnetismo que mostrou ter o próprio Corbyn como ícone. Dois, o mal-estar com a situação da educação, da saúde e dos serviços públicos, após anos de cortes. E três, o descontentamento com o Brexit, que foi devastador para a geração mais jovem e que foi uma decisão tomada pelos babyboomers e pelos avós.”

James, de 28 anos, funcionário do King's College de Londres e eleitor trabalhista, concorda com a afirmação de que os jovens tenham participado em massa como reação por sua baixa mobilização na consulta sobre o Brexit. “Acho que muitos dos jovens que não votaram no referendo e que sentiram as consequências de não ter feito isso tentaram se corrigir, comparecendo dessa vez às urnas”, afirma.

As eleições de quarta-feira passaram para a história como aquelas em que a geração mais jovem fez diferença na política britânica. E o improvável catalisador desse fenômeno foi um deputado de 68 anos do qual sempre se disse que estava ancorado numa época passada. Mas sua condição de outsider, forjada em três décadas de dissidência, torna Corbyn um elemento puro, livre dos vícios do establishment.

Sam, estudante de teoria política de 23 anos, é um desses jovens que votaram no Partido Trabalhista. Em sua opinião, o chamado “efeito Corbyn” não se restringe à pessoa, e sim a sua proposta. “Provocou divisões no partido porque o devolveu a suas origens, mais à esquerda”, diz. “Mas acertou ao atenuar suas opiniões pessoais para incluir em seu programa uma representação maior do pensamento trabalhista. Os jovens alargaram sua visão para votar por um programa e por ideias. Não votaram somente numa pessoa.”

VIA EL PAIS - IMG ITM

 

Opinião do Professor Marco Aurélio - Quem é mais violento, o governo, com suas políticas econômicas e o tratamento que dá à saúde, educação e segurança ou o povo, com suas manifestações de resistência nas ruas? Afinal, qual o sentido ideológico do que chamamos de violência na sociedade?


Acompanhei todas as notícias sobre o dia 24 de maio passado em Brasília e no Brasil, como qualquer brasileiro. Ouvi de colegas professores e jornalistas que aquela agressividade dos manifestantes não poderia acontecer. Afinal, os prédios atingidos pelos manifestantes foram construídos com o nosso dinheiro.


Ouvi e li diversos jornalistas condenando as ações dos manifestantes. Miriam Leitão, Carlos Alberto Sardenberg, Nerval Pereira, articulistas da Folha, do Globo, do Estadão e outros. Embora, dissessem entender as razões dos manifestantes. Condenaram, também, as manifestações que atacaram símbolos do poder em todo o Brasil. Como preciso de mais questões, para mim e para meus alunos, pergunto:

Quando um prefeito diz lançar um concurso público e o edital estabelece que o magistério de ensino médio seja o único curso exigido para professoras e professores de EMEI. Esquecendo que as professoras da rede municipal já são – em sua maioria absoluta - pedagogas e que o PNE prevê que todos os professores de educação básica tenham formação superior em pedagogia até 2020, deixando claro que o objetivo é não aumentar salários e discriminar educadores das EMEIS diante das EMEFS. Isso não é um gesto de violência contra professoras, professores e as famílias?

Quando o prefeito e o governador de São Paulo acreditam que mil soldados da polícia civil e militar vão acabar com a Cracolândia de um dia para o outro, sem sensibilidade para ouvir todos os envolvidos no drama que existe há décadas na capital. Não é violência os governos deixarem seres humanos viverem nessas condições por décadas? Não é um gesto de violência contra a população?


Quando um governador transforma a escola pública em depósitos de alunos, deixa os professores do maior estado do país sem aumento por quase sete anos e não respeita o PNE. Não é um gesto de violência contra o povo, professoras e professores?


Quando um cidadão vai até um posto de saúde ou a um hospital público e espera horas para ser atendido e – muitas vezes – não ser atendido. Não é um gesto de violência contra o povo?
Quando uma mãe procura uma vaga em creche e não encontra. Não é um gesto de violência contra o povo?


Quando o governo diz para você: agora seu tempo de trabalho para aposentar será de 40 anos, mas a dívida da previdência dos empresários e banqueiros fica para depois. Não é um gesto de violência contra o povo?
Quando o governo diz para você: agora sua aposentadoria será depois dos 65 anos e das mulheres depois dos 60 anos. Não é um gesto de violência contra o povo?


Quando o governo diz pra você: precisamos congelar os gastos com saúde e educação durante vinte anos e ponto final. Não é um gesto de violência contra o povo?
Quando, a política saudosa da Ditadura Militar se utiliza da grande mídia para “convencer” a população que a recessão acabou e que nossa economia vai voltar a crescer este ano. Não é um gesto de violência contra o povo?
Quando Trump diz ao mundo que os EUA não vai mais seguir o acordo climático de Paris. Não é uma violência contra a inteligência do mundo?


Com tantas perguntas, podemos dizer que a violência é um gesto ideológico, mesmo quando se manifesta individualmente. A violência sempre revela um contexto. A violência de quem ocupa o poder é sempre opressora e maior que a manifestação de um povo cansado de discriminações, perseguições e tanta injustiça, e muitas vezes sem voz, como na época da Ditadura Militar.


No Brasil e em países parecidos com o nosso, todos que lutam por dias melhores só tem como recurso sair às ruas e dizer não. Como faziam os mineiros na derrama do século XVIII, como faziam os indianos contra os ingleses ou como fizeram os brasileiros que lutaram contra os militares nos anos 70, conquistando a anistia em 1978 e as eleições diretas em 1989.


Essas perguntas lembram o poema de MAIAKÓVSKI, que muitos pensam ser de Brecht e outros conheceram apenas na novela Mulheres Apaixonadas de Manoel Carlos, que em uma de suas estrofes “diz”:


Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Trecho do Poema NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI.

 


Marco Aurélio Rodrigues Freitas é biomédico, historiador, jornalista e professor das redes municipal e estadual de São Paulo. Escreve todas as semanas no site PlanetaOsasco.

Espetáculo com Vinícius Piedade já foi apresentado em mais de 10 países e chega em Osasco com lote promocional (R$15) pelo site Ingresso das Artes (Comprar Ingressos).

Cárcere apresenta uma semana na vida de um pianista que estando no cárcere (PRIVADO DA LIBERDADE E DE SEU PIANO) será refém numa rebelião iminente. Ele vive em ritmo de contagem regressiva e suas expectativas, impressões, lembranças, reflexões e sensações são expressadas por ele num diário que inicia numa segunda-feira e termina quando estoura a rebelião, um domingo. 

A peça será apresentada no Teatro Municipal de Osasco, no próximo dia 14 (quarta-feira) às 20h. O primeiro lote conta com tickets promocionais livres para todos os públicos.

 

Saiba Mais

A peça CÁRCERE é uma reflexão sobre a liberdade através dos olhos de um pianista privado da sua liberdade e de seu piano.
Depois de tempos tentando viver de sua arte e encontrando imensas dificuldades, acaba topando o convite de um “amigo” que lhe oferece um “bico” de venda de drogas, aproveitando o fato de ele ter contato com tanta gente nos tantos bares onde toca piano.


Estando no CÁRCERE tentando negociar com a direção do presídio a entrada de um piano para ensinar outros presos a tocar, líderes de facções criminosas acham que sua conversa com a direção é na verdade “gaguetagem” e acabam jurando-o de morte. A direção da cadeia numa tentativa precária de protege-lo, coloca-o na ALA DOS SEGUROS. O problema é que quando tem rebelião na cadeia, quem é candidato natural a refém é justamente quem está nessa ala. Quando começa a surgir um boato de que uma rebelião está na iminência de estourar, ele começa a escrever um diário. É aqui que começa a peça.
Esse pianista apelidado “Ovo” está numa semana decisiva, pois vive nessa situação limite de se tornar refém da tal rebelião.


A peça se passa justamente no período em que ele descobre que será refém, uma segunda-feira, até o dia em que estoura a rebelião, um domingo. Trata-se, então, da teatralização do diário escrito por esse preso na semana em que vive uma espécie de contagem regressiva.


Suas reflexões, lembranças e razões para continuar “se equilibrando na linha tênue entre persistir e desistir”, num momento em que está “na beira do vulcão que está pra entar em erupção, na linha do trem que está vindo, na mira da bala com a arma já engatilhada”, são expressadas por um ator solo no palco, porém, em vibrante contato direto e indireto com o público.


A proposta estética da peça percorre diferentes camadas e linguagens desde o humor corrosivo de um homem em estado de sítio à momentos essencialmente corporais.
“Eu preferia tocar piano e dizer o que tenho pra dizer em ritmo e disritmia, mas como aqui não tem piano eu escrevo, mesmo sem saber fazer poesia”.


As diferentes dinâmicas da proposta dramatúrgica acabam se completando, caracterizando assim a proposta estética do espetáculo, nessa reflexão sobre a liberdade nossa de cada dia. Não se busca explicá-la e sim provocar uma reflexão sobre o que ela é pra cada um.


Através de uma linguagem acessível por ser visceral, a peça CÁRCERE traz à cena diferentes camadas de profundidade que visam proporcionar ao público um mergulho em diferentes perspectivas de ser e estar preso. Ou livre.

(Comprar Ingressos

 

 

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