Domingo, 19 Março 2017 14:12

Churrascão de Temer na Steak Bull não impressiona chineses, que vetam carne brasileira; Maggi explica à PF que ácido ascórbico é vitamina C

Da Redação

R$ 118 reais por cabeça. E, segundo o Estadão – logo desmentido pelo Planalto — o usurpador Michel Temer levou embaixadores estrangeiros para comer carne bovina importada: red angus, picanha australiana e picanha uruguaia, segundo o gerente Rodrigo Carvalho. Nome da churrascaria? Steak Bull.

Mas, fica ainda melhor: o ministro da Agricultura Blairo Maggi explicou à Polícia Federal que ácido ascórbico é vitamina C. Sim, o ácido que a Polícia Federal denunciou como prejudicial à saúde em rede nacional de TV, com ampla repercussão no Exterior, é … vitamina C.

Maggi também explicou que o famoso papelão supostamente acrescentado às carnes, num grampo telefônico amplamente divulgado, era utilizado como embalagem.

O delegado federal Maurício Moscardi Grillo, responsável pela investigação, não se explicou.

Depois de fortes protestos da bancada ruralista, Maggi falou em “fantasias” e “idiotices” dos policiais federais: “Por que não estávamos presentes para dizer que cabeça de porco pode ser utilizada ou que ácido ascórbico é vitamina C?”, questionou.

A China, maior importador de alimentos do mundo, barrou a carne brasileira; a Coreia do Sul suspendeu a importação de frangos e a União Europeia suspendeu preliminarmente a importação de carnes das empresas envolvidas na investigação, o que deve causar graves danos aos frigoríficos Perdigão, Sadia, Friboi e Seara.

BRF e JBS, donas das marcas citadas acima, além dos frigoríficos Larissa, Pecin e Souza Ramos, foram acusados pela Polícia Federal de maquiar carne estragada, pagar vantagens para evitar fiscalização e outras picaretagens diretamente relacionadas à saúde pública. Num dos casos, uma unidade frigorífica que deveria ser fechada por contaminação com salmonela continuou funcionando normalmente — sempre segundo a PF.

O Brasil é o maior exportador de carnes do mundo.

O jornal ruralista Estadão e o diário conservador Folha de S. Paulo trouxeram críticas à operação da PF — segundo a Folha, em dois anos de investigação só foi feita uma perícia nos alimentos suspeitos.

Provavelmente foi a pressão dos ruralistas, que dominam o Congresso e a mídia brasileira — a família Frias, por exemplo, fez fortuna criando frangos; a Globo integra a associação do agronegócio — que barrou o ímpeto denuncista, levando o diretor da Polícia Federal a compartilhar a investigação com o Ministério da Agricultura.

O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, não explicou o fato de chamar um dos integrantes da máfia da fiscalização de “grande chefe”, quando ainda era deputado federal e fez lobby em defesa de um frigorífico.

O espetáculo denuncista da PF, depois de detonar a Petrobras e as empreiteiras, chega agora a outro setor estratégico da economia brasileira. As denúncias são infundadas? Não necessariamente. O Brasil tem corrupção em todos os níveis? Sim. Mas, o espetáculo midiático se justifica? Só no processo de autodestruição em que a elite brasileira embarcou, provavelmente associada a interesses externos.

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