Segunda, 12 Fevereiro 2018 17:42

TSE libera o caminho para o caixa dois abastecer a campanha dos milionários



Dória em campanha no sambódromo do Rio; livre para voar — com jatinho do BNDES, com tudo

por Luiz Carlos Azenha

Em 2010, a Suprema Corte dos Estados Unidos eliminou os limites para que corporações e sindicatos fizessem contribuições de campanha independentes, ou seja, ligadas a temas e não a candidatos específicos.

Quem tem mais dinheiro para dar, a Microsoft ou o sindicato dos professores de Missouri?

Foi o sonho de bilionários como os irmãos Koch, que organizaram redes de contribuição para apoiar candidatos de direita e extrema-direita.

Em 2014, a Suprema Corte completou o “serviço”, eliminando o limite para contribuições individuais, uma benção para a turma do dinheiro e seu projeto de colocar a democracia a serviço do mercado financeiro.

Agora, o Tribunal Superior Eleitoral publicou resolução permitindo que candidatos se autofinanciem até o limite, no Brasil.

Ou seja, um milionário poderá gastar até R$ 2,5 milhões de seu próprio bolso para se eleger deputado federal.

É preciso lembrar que João Doria, por exemplo, candidato a prefeito de São Paulo, autofinanciou mais de 35% de sua própria campanha, R$ 4,4 milhões.

Se fosse candidato a presidente, poderia injetar até R$ 70 milhões (a fortuna declarada de Doria é de R$ 180 milhões).

Doria é um lobista profissional que ocupa cargo público e sua fortuna foi construída assim: apresentando ricos aos mais ricos, banqueiros àqueles que os representariam no poder.

Mas, ele não será o único beneficiado.

Na verdade, o que o TSE fez foi liberar o caminho para que o dinheiro de caixa dois, escondido por aí, financie a campanha de milionários.

Porque um milionário brasileiro jamais vai colocar tudo do próprio bolso para se eleger. Lembrem-se, mesmo Doria, com patrimônio declarado de R$ 180 mi, colocou “apenas” R$ 4,4 milhões de seu próprio dinheiro para ocupar o trampolim da prefeitura paulistana.

Bem menos que os R$ 44 milhões que ele pegou a juros privilegiados do BNDES para comprar seu jatinho.

Os super-ricos brasileiros tem mais de R$ 1 trilhão escondidos no Exterior, segundo um estudo encomendado pela Tax Justice Network, que combate os paraísos fiscais.

Podem ter certeza de que uma fatia desta fortuna, pequena que seja, vai tornar o Congresso brasileiro ainda mais conservador em 2018, substituindo plenamente o dinheiro que as empresas estão impedidas de “investir”  na política.

Se o TSE não revisar a decisão até 5 de março, liberou geral.

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