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Chocou os internautas neste fim de semana a notícia de que uma dupla havia sido flagrada pela Guarda Civil Municipal (GCM) de Osasco capturando pombos no calçadão da rua Antonio Agu para supostamente preparar alimentos que seriam vendidos a buffets. Mas a suspeita já vinha circulando nas redes sociais.

No fim do mês passado, um internauta postou em um grupo de Presidente Altino que havia visto dois homens capturando pombos na Praça Laurindo de Camargo, no bairro. “Existem algumas pessoas que estão caçando esses pombos aqui no nosso bairro para serem vendidos para fins alimentícios”, relatou.

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Homens são flagrados no calçadão de Osasco capturando pombos para vender a buffets

“Vi dois homens caçando essas aves na Praça Laurindo de Camargo e quando as pessoas acabaram indagando os mesmos para que fim seriam as aves, os mesmos fugiram e desapareceram. Porém, hoje de manhã novamente na mesma Praça um morador deu de cara com os mesmos homens e de novo com um carrinho de mão e uma grande gaiola feita de palha”, denunciou o internauta, no dia 28 de julho.

“É muito importante que fiquemos atentos, pois não sabemos para que fim essas aves estão sendo usadas, pois como os mesmos possuem carne branca, podem ser usados em coxinhas, empadinhas e vai se saber para o que mais…”, emendou.

Há dois anos, 19 pessoas foram assassinadas em uma série de ataques nas cidades de Osasco e Barueri, região metropolitana de São Paulo. Três policiais militares (PMs) e um guarda civil são acusados pelos ataques, no caso que ficou conhecido como Chacina de Osasco, mas alegam inocência. No dia 18 de setembro, começa o julgamento de três dos acusados, que vão a júri popular por 24 crimes de homicídio – 17 consumados e sete tentativas.

“Para mim, parece que aconteceu ontem. O tempo não passou para mim ainda, cada vez pior. Você levanta com isso na cabeça, dorme com isso na cabeça. Você tem que aceitar da forma que foi, é revoltante, você tem que engolir e conviver com isso. É isso que é a minha revolta”, diz Zilda Maria de Paula, mãe de Fernando Luis de Paula, um dos mortos na chacina. Zilda vai depor no julgamento em nome dos parentes das vítimas, mas não quer assistir ao restante da audiência.

“Eles não mataram só os meninos, eles nos mataram também. Nós estamos morrendo a cada dia que passa, não sai da cabeça, é uma dor sufocante”, desabafa. O filho de Zilda, com 34 anos, tinha saído para cortar o cabelo e depois foi a um bar com amigos no dia 13 de agosto de 2015. Ela conta que Fernando foi um dos últimos rapazes assassinados naquele bar e  viu os amigos serem baleados e, sentado em uma cadeira, nada pôde fazer.

Em 2016, famílias homenagearam vítimas da chacina em ato no vão-livre do Masp Em 2016, famílias homenagearam vítimas da chacina em ato no vão-livre do Masp 

Para o promotor do Ministério Público (MP) designado para o caso, Marcelo Oliveira, há provas suficientes para a condenação dos réus, apesar das dificuldades para investigar crimes cometidos por policiais, já que eles conhecem todos os meios de investigação. A previsão é que o julgamento dure cerca de uma semana.

“Nós não vamos ter êxito num exame de confronto balístico com as armas pessoais dos acusados porque eles não seriam tão ingênuos a ponto de praticar o crime com as próprias armas. Nós não vamos encontrar o sinal dos celulares deles nos locais dos crimes porque eles não vão levar os telefones celulares. Eles sabem, todo mundo sabe hoje: telefone celular, além da função que é óbvia de telefone, ele tem outra, que é ser rastreado”, diz Oliveira.

De acordo com a denúncia do MP, os assassinatos foram motivados pelo desejo de vingar a morte de um policial militar e um guarda civil municipal. Na decisão de levá-los a júri popular, a juíza Élia Kinosita Bulman afirmou que há elementos suficientes nos autos que comprovam a participação dos réus.

O promotor Marcelo Oliveira afirma que há mais pessoas envolvidas no massacre. “Diante da magnitude do evento, tenho certeza de que não são só os quatro que vão a julgamento que estão envolvidos na chacina. É evidente que há outros, alguns planejaram, outros até mesmo executaram, e não foram identificados. Cada um teve um papel ali.” Durante as investigações, houve relatos de que, em alguns locais dos crimes, o patrulhamento por viaturas da Guarda Civil era frequente. No entanto, no período das mortes, não houve patrulhamento algum.

Os réus

O PM Fabricio Emmanuel Eleutério foi reconhecido por um sobrevivente da chacina. “Isso é prova robusta [o reconhecimento]. Se alguém atirar em você e você sobreviver, vir o rosto do sujeito e falar: 'é ele', que juiz que vai absolver no mundo? Que interesse que você tem imputar o crime ao outro indivíduo que não aquele que disparou contra você?”, enfatiza o promotor.

A advogada do policial, Flavia Artilheiro, disse à Agência Brasil que dados do celular de Eleutério mostram que, no momento dos crimes, ele estava a 7 quilômetros do local da chacina e que o rastreador do carro indica que, entre as 19h30 e as 22h40, ficou estacionado no endereço da namorada dele, o que foi confirmado pela moça e pela mãe dela.

Já o guarda civil Sérgio Manhanhã não atirou contra as vítimas, mas sua participação contribuiu para a consumação dos crimes, afirmou Oliveira. “O papel dele foi bastante fundamental, apesar de ele não ter disparado uma arma de fogo. Ele simplesmente desviou as viaturas dos locais onde os homicídios ocorreriam – era tudo o que eles [assassinos] precisavam”, disse o promotor. “Eles só não podiam ser pegos. Uma vez concluída a chacina, eles sabiam que seria dificílimo pegar os autores do crime”, acrescentou.

Outro envolvido, o policial Vitor Cristilder Silva dos Santos disse, em depoimento, que permaneceu no batalhão após o fim da jornada de trabalho. De acordo com o promotor, houve uma troca de símbolos por meio de aplicativo no celular, que ocorreu no horário em que os crimes foram cometidos. Cristilder mandou o desenho de uma mão fazendo sinal de positivo para o guarda civil, que respondeu com o mesmo símbolo e com outro simbolizando um braço forte.

Cristilder foi o único a recorrer da sentença que determinou o julgamento, portanto, não vai a júri nesta ocasião. A Agência Brasil procurou a defesa do policial, mas não obteve retorno até a conclusão da reportagem.

Segundo o advogado de defesa de Manhanhã, Abelardo Julio da Rocha, não havia qualquer relação de amizade entre seu cliente e Cristilder, apenas coleguismo. Os réus reconheceram a troca de mensagens, mas afirmaram que se referiam ao empréstimo de um livro jurídico do guarda civil para o policial. A defesa acrescentou que o guarda civil “comandava apenas quatro viaturas da Guarda Municipal de Barueri e não tinha autoridade para determinar outro local de patrulhamento a não ser aquele predeterminado pelo comando da Guarda”.

Contra Thiago Barbosa Heinklain, há relato de testemunha dando conta de que o policial discutiu com a esposa, que o teria reconhecido em imagens de câmeras de segurança divulgadas por emissoras de televisão sobre o caso. A discussão foi ouvida por uma pessoa, que relatou o ocorrido para outra pessoa próxima, que, por sua vez, testemunhou à Polícia Civil. No entanto, a testemunha teve medo de reafirmar o depoimento perante a juíza.

O advogado Fernando Capano disse que não há lastro probatório para condenar Thiago no processo e que o MP não demonstrou a participação de seu cliente nos fatos apurados. “Não podemos condenar um homem apenas por 'ouvir falar'”, acrescentou Capano.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que os inquéritos da Corregedoria da PM e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, da Polícia Civil, foram concluídos com o indiciamento de seis PMs e um guarda civil municipal. Posteriormente, a promotoria ofereceu denúncia contra os sete indiciados, mas a Justiça Criminal de Osasco acatou denúncia apenas contra quatro deles, que estão presos e são réus no processo.

Segundo a SSP, a juíza rejeitou a denúncia contra os outros, que estão afastados do trabalho operacional. Os seis PMs respondem atualmente a processo demissório.

São Paulo - Famílias das vítimas das chacinas nas cidades de Osasco, Itapevi e Barueri, fazem um ato no vão-livre do Masp (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Em 2016, famílias homenagearam vítimas da chacina em ato no vão-livre do Masp Rovena Rosa/Agência Brasil

Há dois anos, 19 pessoas foram assassinadas em uma série de ataques nas cidades de Osasco e Barueri, região metropolitana de São Paulo. Três policiais militares (PMs) e um guarda civil são acusados pelos ataques, no caso que ficou conhecido como Chacina de Osasco, mas alegam inocência. No dia 18 de setembro, começa o julgamento de três dos acusados, que vão a júri popular por 24 crimes de homicídio – 17 consumados e sete tentativas.

“Para mim, parece que aconteceu ontem. O tempo não passou para mim ainda, cada vez pior. Você levanta com isso na cabeça, dorme com isso na cabeça. Você tem que aceitar da forma que foi, é revoltante, você tem que engolir e conviver com isso. É isso que é a minha revolta”, diz Zilda Maria de Paula, mãe de Fernando Luis de Paula, um dos mortos na chacina. Zilda vai depor no julgamento em nome dos parentes das vítimas, mas não quer assistir ao restante da audiência.

“Eles não mataram só os meninos, eles nos mataram também. Nós estamos morrendo a cada dia que passa, não sai da cabeça, é uma dor sufocante”, desabafa. O filho de Zilda, com 34 anos, tinha saído para cortar o cabelo e depois foi a um bar com amigos no dia 13 de agosto de 2015. Ela conta que Fernando foi um dos últimos rapazes assassinados naquele bar e  viu os amigos serem baleados e, sentado em uma cadeira, nada pôde fazer.

Para o promotor do Ministério Público (MP) designado para o caso, Marcelo Oliveira, há provas suficientes para a condenação dos réus, apesar das dificuldades para investigar crimes cometidos por policiais, já que eles conhecem todos os meios de investigação. A previsão é que o julgamento dure cerca de uma semana.

“Nós não vamos ter êxito num exame de confronto balístico com as armas pessoais dos acusados porque eles não seriam tão ingênuos a ponto de praticar o crime com as próprias armas. Nós não vamos encontrar o sinal dos celulares deles nos locais dos crimes porque eles não vão levar os telefones celulares. Eles sabem, todo mundo sabe hoje: telefone celular, além da função que é óbvia de telefone, ele tem outra, que é ser rastreado”, diz Oliveira.

De acordo com a denúncia do MP, os assassinatos foram motivados pelo desejo de vingar a morte de um policial militar e um guarda civil municipal. Na decisão de levá-los a júri popular, a juíza Élia Kinosita Bulman afirmou que há elementos suficientes nos autos que comprovam a participação dos réus.

O promotor Marcelo Oliveira afirma que há mais pessoas envolvidas no massacre. “Diante da magnitude do evento, tenho certeza de que não são só os quatro que vão a julgamento que estão envolvidos na chacina. É evidente que há outros, alguns planejaram, outros até mesmo executaram, e não foram identificados. Cada um teve um papel ali.” Durante as investigações, houve relatos de que, em alguns locais dos crimes, o patrulhamento por viaturas da Guarda Civil era frequente. No entanto, no período das mortes, não houve patrulhamento algum.

Os réus

O PM Fabricio Emmanuel Eleutério foi reconhecido por um sobrevivente da chacina. “Isso é prova robusta [o reconhecimento]. Se alguém atirar em você e você sobreviver, vir o rosto do sujeito e falar: 'é ele', que juiz que vai absolver no mundo? Que interesse que você tem imputar o crime ao outro indivíduo que não aquele que disparou contra você?”, enfatiza o promotor.

A advogada do policial, Flavia Artilheiro, disse à Agência Brasil que dados do celular de Eleutério mostram que, no momento dos crimes, ele estava a 7 quilômetros do local da chacina e que o rastreador do carro indica que, entre as 19h30 e as 22h40, ficou estacionado no endereço da namorada dele, o que foi confirmado pela moça e pela mãe dela.

Já o guarda civil Sérgio Manhanhã não atirou contra as vítimas, mas sua participação contribuiu para a consumação dos crimes, afirmou Oliveira. “O papel dele foi bastante fundamental, apesar de ele não ter disparado uma arma de fogo. Ele simplesmente desviou as viaturas dos locais onde os homicídios ocorreriam – era tudo o que eles [assassinos] precisavam”, disse o promotor. “Eles só não podiam ser pegos. Uma vez concluída a chacina, eles sabiam que seria dificílimo pegar os autores do crime”, acrescentou.

Outro envolvido, o policial Vitor Cristilder Silva dos Santos disse, em depoimento, que permaneceu no batalhão após o fim da jornada de trabalho. De acordo com o promotor, houve uma troca de símbolos por meio de aplicativo no celular, que ocorreu no horário em que os crimes foram cometidos. Cristilder mandou o desenho de uma mão fazendo sinal de positivo para o guarda civil, que respondeu com o mesmo símbolo e com outro simbolizando um braço forte.

Cristilder foi o único a recorrer da sentença que determinou o julgamento, portanto, não vai a júri nesta ocasião. A Agência Brasil procurou a defesa do policial, mas não obteve retorno até a conclusão da reportagem.

Segundo o advogado de defesa de Manhanhã, Abelardo Julio da Rocha, não havia qualquer relação de amizade entre seu cliente e Cristilder, apenas coleguismo. Os réus reconheceram a troca de mensagens, mas afirmaram que se referiam ao empréstimo de um livro jurídico do guarda civil para o policial. A defesa acrescentou que o guarda civil “comandava apenas quatro viaturas da Guarda Municipal de Barueri e não tinha autoridade para determinar outro local de patrulhamento a não ser aquele predeterminado pelo comando da Guarda”.

Contra Thiago Barbosa Heinklain, há relato de testemunha dando conta de que o policial discutiu com a esposa, que o teria reconhecido em imagens de câmeras de segurança divulgadas por emissoras de televisão sobre o caso. A discussão foi ouvida por uma pessoa, que relatou o ocorrido para outra pessoa próxima, que, por sua vez, testemunhou à Polícia Civil. No entanto, a testemunha teve medo de reafirmar o depoimento perante a juíza.

O advogado Fernando Capano disse que não há lastro probatório para condenar Thiago no processo e que o MP não demonstrou a participação de seu cliente nos fatos apurados. “Não podemos condenar um homem apenas por 'ouvir falar'”, acrescentou Capano.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que os inquéritos da Corregedoria da PM e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, da Polícia Civil, foram concluídos com o indiciamento de seis PMs e um guarda civil municipal. Posteriormente, a promotoria ofereceu denúncia contra os sete indiciados, mas a Justiça Criminal de Osasco acatou denúncia apenas contra quatro deles, que estão presos e são réus no processo.

Segundo a SSP, a juíza rejeitou a denúncia contra os outros, que estão afastados do trabalho operacional. Os seis PMs respondem atualmente a processo demissório.

Relembre o caso da chacina de Osasco

Edição: Nádia Franco

São Paulo - Famílias das vítimas das chacinas nas cidades de Osasco, Itapevi e Barueri, fazem um ato no vão-livre do Masp (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Em 2016, famílias homenagearam vítimas da chacina em ato no vão-livre do Masp Rovena Rosa/Agência Brasil

Há dois anos, 19 pessoas foram assassinadas em uma série de ataques nas cidades de Osasco e Barueri, região metropolitana de São Paulo. Três policiais militares (PMs) e um guarda civil são acusados pelos ataques, no caso que ficou conhecido como Chacina de Osasco, mas alegam inocência. No dia 18 de setembro, começa o julgamento de três dos acusados, que vão a júri popular por 24 crimes de homicídio – 17 consumados e sete tentativas.

“Para mim, parece que aconteceu ontem. O tempo não passou para mim ainda, cada vez pior. Você levanta com isso na cabeça, dorme com isso na cabeça. Você tem que aceitar da forma que foi, é revoltante, você tem que engolir e conviver com isso. É isso que é a minha revolta”, diz Zilda Maria de Paula, mãe de Fernando Luis de Paula, um dos mortos na chacina. Zilda vai depor no julgamento em nome dos parentes das vítimas, mas não quer assistir ao restante da audiência.

“Eles não mataram só os meninos, eles nos mataram também. Nós estamos morrendo a cada dia que passa, não sai da cabeça, é uma dor sufocante”, desabafa. O filho de Zilda, com 34 anos, tinha saído para cortar o cabelo e depois foi a um bar com amigos no dia 13 de agosto de 2015. Ela conta que Fernando foi um dos últimos rapazes assassinados naquele bar e  viu os amigos serem baleados e, sentado em uma cadeira, nada pôde fazer.

Para o promotor do Ministério Público (MP) designado para o caso, Marcelo Oliveira, há provas suficientes para a condenação dos réus, apesar das dificuldades para investigar crimes cometidos por policiais, já que eles conhecem todos os meios de investigação. A previsão é que o julgamento dure cerca de uma semana.

“Nós não vamos ter êxito num exame de confronto balístico com as armas pessoais dos acusados porque eles não seriam tão ingênuos a ponto de praticar o crime com as próprias armas. Nós não vamos encontrar o sinal dos celulares deles nos locais dos crimes porque eles não vão levar os telefones celulares. Eles sabem, todo mundo sabe hoje: telefone celular, além da função que é óbvia de telefone, ele tem outra, que é ser rastreado”, diz Oliveira.

De acordo com a denúncia do MP, os assassinatos foram motivados pelo desejo de vingar a morte de um policial militar e um guarda civil municipal. Na decisão de levá-los a júri popular, a juíza Élia Kinosita Bulman afirmou que há elementos suficientes nos autos que comprovam a participação dos réus.

O promotor Marcelo Oliveira afirma que há mais pessoas envolvidas no massacre. “Diante da magnitude do evento, tenho certeza de que não são só os quatro que vão a julgamento que estão envolvidos na chacina. É evidente que há outros, alguns planejaram, outros até mesmo executaram, e não foram identificados. Cada um teve um papel ali.” Durante as investigações, houve relatos de que, em alguns locais dos crimes, o patrulhamento por viaturas da Guarda Civil era frequente. No entanto, no período das mortes, não houve patrulhamento algum.

Os réus

O PM Fabricio Emmanuel Eleutério foi reconhecido por um sobrevivente da chacina. “Isso é prova robusta [o reconhecimento]. Se alguém atirar em você e você sobreviver, vir o rosto do sujeito e falar: 'é ele', que juiz que vai absolver no mundo? Que interesse que você tem imputar o crime ao outro indivíduo que não aquele que disparou contra você?”, enfatiza o promotor.

A advogada do policial, Flavia Artilheiro, disse à Agência Brasil que dados do celular de Eleutério mostram que, no momento dos crimes, ele estava a 7 quilômetros do local da chacina e que o rastreador do carro indica que, entre as 19h30 e as 22h40, ficou estacionado no endereço da namorada dele, o que foi confirmado pela moça e pela mãe dela.

Já o guarda civil Sérgio Manhanhã não atirou contra as vítimas, mas sua participação contribuiu para a consumação dos crimes, afirmou Oliveira. “O papel dele foi bastante fundamental, apesar de ele não ter disparado uma arma de fogo. Ele simplesmente desviou as viaturas dos locais onde os homicídios ocorreriam – era tudo o que eles [assassinos] precisavam”, disse o promotor. “Eles só não podiam ser pegos. Uma vez concluída a chacina, eles sabiam que seria dificílimo pegar os autores do crime”, acrescentou.

Outro envolvido, o policial Vitor Cristilder Silva dos Santos disse, em depoimento, que permaneceu no batalhão após o fim da jornada de trabalho. De acordo com o promotor, houve uma troca de símbolos por meio de aplicativo no celular, que ocorreu no horário em que os crimes foram cometidos. Cristilder mandou o desenho de uma mão fazendo sinal de positivo para o guarda civil, que respondeu com o mesmo símbolo e com outro simbolizando um braço forte.

Cristilder foi o único a recorrer da sentença que determinou o julgamento, portanto, não vai a júri nesta ocasião. A Agência Brasil procurou a defesa do policial, mas não obteve retorno até a conclusão da reportagem.

Segundo o advogado de defesa de Manhanhã, Abelardo Julio da Rocha, não havia qualquer relação de amizade entre seu cliente e Cristilder, apenas coleguismo. Os réus reconheceram a troca de mensagens, mas afirmaram que se referiam ao empréstimo de um livro jurídico do guarda civil para o policial. A defesa acrescentou que o guarda civil “comandava apenas quatro viaturas da Guarda Municipal de Barueri e não tinha autoridade para determinar outro local de patrulhamento a não ser aquele predeterminado pelo comando da Guarda”.

Contra Thiago Barbosa Heinklain, há relato de testemunha dando conta de que o policial discutiu com a esposa, que o teria reconhecido em imagens de câmeras de segurança divulgadas por emissoras de televisão sobre o caso. A discussão foi ouvida por uma pessoa, que relatou o ocorrido para outra pessoa próxima, que, por sua vez, testemunhou à Polícia Civil. No entanto, a testemunha teve medo de reafirmar o depoimento perante a juíza.

O advogado Fernando Capano disse que não há lastro probatório para condenar Thiago no processo e que o MP não demonstrou a participação de seu cliente nos fatos apurados. “Não podemos condenar um homem apenas por 'ouvir falar'”, acrescentou Capano.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que os inquéritos da Corregedoria da PM e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, da Polícia Civil, foram concluídos com o indiciamento de seis PMs e um guarda civil municipal. Posteriormente, a promotoria ofereceu denúncia contra os sete indiciados, mas a Justiça Criminal de Osasco acatou denúncia apenas contra quatro deles, que estão presos e são réus no processo.

Segundo a SSP, a juíza rejeitou a denúncia contra os outros, que estão afastados do trabalho operacional. Os seis PMs respondem atualmente a processo demissório.

Relembre o caso da chacina de Osasco

Edição: Nádia Franco

Pelo celular, quem está no ponto de ônibus poderá saber se coletivo está vindo cheio ou vazio

App vai informar aos usuários se ônibus estão lotados

App vai informar aos usuários se ônibus estão lotados (Foto: divulgação)

Imagine estar no ponto de ônibus e saber, antes mesmo do coletivo se aproximar, se ele estará vazio, parcialmente ocupado ou lotado. Em breve, isso será possível, por meio de um aplicativo para celulares, criado por estudantes da Fatec prefeito Hirant Sanazar, de Osasco.

O projeto foi desenvolvido pelos alunos William Avancini e Jéssica Cruz ao longo de dois anos de trabalho, de acordo com proposta formulada pelo professor de Banco de Dados da Fatec de Osasco, Fábio Brussolo. utilização do aplicativo está sendo negociada com a Prefeitura de Osasco. William e Jéssica recém-concluíram a graduação tecnológica de Redes de Computadores  e pretendem registrar a patente do software, que, segundo os estudantes, é inédito.

Eles também buscam uma aceleradora para criar uma startup do projeto. “Estamos em fase de pesquisas na Anatel para viabilizar a autorização necessária para uso da frequência para o tráfego de nossos dados pelo nosso dispositivo.

Também estamos em andamento com melhorias nos sensores e na disponibilização da informação”, conta William. Mas esse não é o único projeto do setor feito por alunos da unidade. O SVI Online, dos estudantes Reginaldo Costa e Julia Pedrosa, ambos do sexto semestre do curso de Redes de Computadores, propõe que os pontos de ônibus tenham um terminal com um tipo de totem com o qual o usuário possa interagir em busca de informações sobre horários, problemas na via e trajetos. A abrangência é toda a cidade de Osasco.

O projeto inclui o monitoramento 24 horas pelas câmeras instaladas nos pontos por meio de um sistema de circuito fechado de televisão (também conhecido pela sigla CFTV) na rede implantada, visando melhorar a segurança. Todos os serviços são disponibilizados sem que seja necessária a utilização de smartphone próprio, o que minimiza os riscos à segurança do usuário. “Focamos no bem-estar e visibilidade do passageiro, que muitas vezes se sente ignorado. Identificamos que grande parte da insatisfação é decorrente da falta de comunicação do usuário com a reguladora e aproveitamos a oportunidade para melhorar essa experiência”, destaca Júlia. Segundo Reginaldo, os próximos passos incluem a busca de parcerias com outras cidades.

SEGUNDA, 07/08/2017, 07:00 Willian de Martini oferece, em Osasco, facilidades para colocar propaganda ilegal nas ruas (Crédito: Pedro Duran/CBN)

Willian de Martini oferece, em Osasco, facilidades para colocar propaganda ilegal nas ruas

Crédito: Pedro Duran/CBN

Por Pedro Durán

Foram 12 anos e meio pulando de cadeira em cadeira em diretorias de departamentos do alto escalão da prefeitura de Osasco.

Depois de comandar a área de Abastecimento, Willian de Martini foi para o Departamento de Controle Urbano chefiar os 13 fiscais que cuidam de propaganda ilegal nas ruas de Osasco. A passagem durou dois anos - até que ele se tornou coordenador de manutenção.

Willian deixou o cargo em janeiro, dez dias depois de o prefeito Rogério Lins assumir o comando da cidade.

Em Osasco, uma lei de 2011 proíbe vários itens de divulgação na rua com pena de apreensão e multas.

A tabela da propina para a propaganda ilegal na cidade tem valores bem menores que a capital paulista: R$ 10 por farol para liberar a panfletagem e R$ 25 no caso de faixas e setas.

Grace Aparecida Moreira, dona da empresa Bellos, afirmou que toda negociação da propina é feita por Willian, que faz a ponte com os fiscais. Ela diz que em um dos empreendimentos que trabalha, a propina para liberar a propaganda é de R$ 2 mil por semana. Os fiscais recebem semanalmente.

"O meu acerto com eles é sempre em uma terça-feira. Então terça-feira vai todo mundo lá dentro do meu escritório. [Então eu deposito na sua conta...] E eu faço o pagamento pra eles. [Você entrega em dinheiro pra eles?] Em dinheiro pra eles", disse a empresária.

Em uma mensagem de áudio enviada para Grace, Willian diz que o sócio da empresa promotora CPP, Carlos Alfredo, vai ajudar com a liberação da publicidade ilegal em São Paulo, mas que o custo da propina pode variar de acordo com o bairro.

"Cada região ele tem que tratar com uma prefeitura regional diferente. Então ele quer explicar isso, até pra fazer o valor e o custo. E aí cada uma tem um jeito de tratar. Tem algumas que são mais fáceis, outras são mais difíceis", conta.

Dias depois, num encontro em Osasco, Willian oferece segurança para a propaganda proibida em Osasco. Ele se apresenta como sendo de uma empresa de "assessoria":

"Ninguém virá aqui do serviço público pra falar o que pode, o que não pode. Então a gente faz essa intermediação. Aqui em Osasco é uma situação bastante tranquila e sei que em São Paulo com o Carlos também".

Grace diz ter trabalhado na campanha de Rogério Lins. Ela afirma que a divulgação nas ruas foi toda feita de forma ilegal. Nem o nome dela ou da Bellos aparecem no banco de dados da Justiça Eleitoral. O prefeito de Osasco, no entanto, não nega que a contratou, mas diz que fez a campanha dentro da lei:

"Eu trabalhei com a demanda dele todinha. Era 100 mil de jornal por semana. [Então a campanha também foi irregular?] Foi, foi totalmente. [Quero dizer, se ele ganhou a eleição com a campanha irregular, não teria como impedir que isso acontecesse depois, não é verdade?] Exatamente. Por isso que eu estou falando pra você: sabe ou não sabe? É tudo uma uma máfia. Desculpa, mas quem não tá na máfia aqui sou eu e você, sabe por quê? Porque a gente precisa pagar pra poder trabalhar". 

Em nota, a prefeitura de Osasco disse que a administração do prefeito Rogério Lins é pautada pela moralidade e pela legalidade e que a Secretaria de Assuntos Jurídicos vai abrir uma sindicância pra investigar o caso.

Grace Aparecida Moreira, da Bellos, e Carlos Alfredo, da CPP, não retornaram as ligações da CBN. A reportagem procurou Willian de Martini, mas ele não foi encontrado.

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